Morre Herbert Richers

É com pesar que o pioneiro da indústria da dublagem no Brasil, Herbert Richards, faleceu hoje, dia 20, aos 86 anos de idade no Rio de Janeiro. Herbert estava internado na CTI da clínica São Vicente desde o dia 8, sofrendo de problemas renais cerca de um ano. O cineasta e produtor nasceu em Araraquara, São Paulo, em 11 de março de 1923.

O dublador Guilherme Briggs mostrou-se emocionado com o ocorrido: "Era um senhor de idade, mas mesmo assim não conseguia acreditar quando soube da noticia. Desde criança eu associo o nome dele à dublagem."


Orlando Drummond, famoso por vozes como Scooby-Doo e Alf, também declarou comoção: "Foi com ele que comecei a trabalhar com dublagem, foram cinquenta anos juntos. Ontem pensei tanto nele... Herbert foi um lutador, é uma perda irreparável para o mercado de dublagem.”

Os familiares e amigos darão adeus no velório que acontece hoje, a partir das 14h, na capela 1 do cemitério Memorial do Carmo, no Rio.

A maior parte dos filmes dublados em português foram através dessa mesma dubladora que marcou a vida de tantos brasileiros.

E para Herbert Richards, uma salva de palmas para todo o trabalho desempenhado por ele!
Bastardos Inglórios

Quentin Tarantino realmente sabe deixar a sua marca nos filmes que realiza. Da violência praticamente gratuita e estilizada que traz como precedente os diálogos afiados, intrigantes e curiosos, para de fato começar um banho de sangue e mortes. Com a mais nova obra, Bastardos Inglórios, não foi diferente.


Como de praxe nas histórias que dirige a narrativa é divida por capítulos, mas ao contrário de Pulp Fiction, referência mor do cineasta, o conto segue uma linha temporal contínua, ou seja, não há vai-e-vem, e particularmente foi em ordem cronológica que a produção foi gravada, fator raro em Hollywood.

O ponto forte de Tarantino, sem dúvida, é a interação e construção dos personagens, a começar pelo coronel Hans Landa (o ator Christopher Waltz), o ‘Caçador de Judeus’ na introdução tensa ao dialogar com um homem suspeito de abrigar fugitivos judeus numa fazenda. De certo o que tem mais presença ao longo de uma hora e meia de fita. O jeito como a câmera circunda os atores à mesa e a tensão na música de fundo - o maestro italiano Ennio Morricone compõe parte da trilha do filme- já prenunciam massacre. De lá a jovem Shosanna foge sendo a única sobrevivente.

Quatro anos depois a personagem é dona de um cinema em Paris, território controlado por nazistas, no auge da Segunda Grande Guerra, e sua beleza chama a atenção de Frederick Zoller (Daniel Brühl), que estrela uma película que reforça o poderio alemão frente aos inimigos de guerra. Por ter reconhecimento de bravura dentre os militares alemães, ele consegue a chance de fazer a estreia desse mesmo filme no cinema da bela jovem, querendo em troca, obviamente, afagos da loira que não correspondidos.

Já os ‘bastardos’ formam uma divisão especial de soldados americanos e judeus que tem um objetivo somente: Matar os nazistas, como o próprio tenente Aldo Raine (Brad Pitt) diz aos seus subordinados.
A obsessão dele reforçada pelo sotaque do Tennessee ao falar sobre como adora identificar e matar cada nazista filho-da-mãe que puder é de um transtorno obsessivo impagável!

Apesar de protagonista, não se engane... ele consegue ser tão doentio quanto os adversários, afinal, não é nada normal exigir cem escalpos de cada um dos soldados que comanda.

Se violência não lhe agrada, caro leitor, então a história certamente não é para você já que é um dos mais violentos de toda a filmografia de Tarantino. A cena que justifica tal fato é quando um prisioneiro nazista é mantido sob o comando da personagem de Pitt, e quando se recusa a ajudar os bastardos entra em ação o brucutu do sargento Donnie Donowitz, também atendendo pela alcunha de ‘Urso Judeu’ (Eli Roth). Aqui, violência gratuita, e até desnecessária, ao vê-lo estourar a cabeça do prisioneiro de guerra com um bastão de beisebol. Isso foi apenas o começo do que estava por vir, mas acalme-se já que apesar do tamanho nível brutalidade, este ocorre em momentos específicos, bem espaçados entre longos diálogos acompanhados de planos de câmeras.

A união dos caminhos dos bastardos e de Shosanna é justamente a noite no cinema o qual todos os grandes cabeças do Terceiro Reich estarão alocados. A atriz e agente infiltrada Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger) é o elo para fazer com que os soldados americanos tenham a chance de acabar com a guerra, executando o plano de matar Adolf Hilter. Mas apesar da simplicidade do plano de Aldo, na prática, ele e os bastardos passam por poucas e boas, com um desfecho digno de aplausos.

Se for fã do diretor não pode perder a forma como é conduzida a história e é lapidada a personalidade de cada um que brota na tela de projeção. Vá ao cinema ver testículos estourados, diálogos afiados, mortes insanas, escalpos, tiroteios e um Hitler histérico, ruborizado e respingando perdigotos ao ar, simplesmente porque Tarantino ainda é o cara!





Morre Patrick Swayze
O grande ícone oitentista, Patrick Swayze de 57 anos, morreu nesta segunda -feira 14 de setembro devido a complicações por causa do câncer contraído no inicio do ano passado.
Swayze era um ator versátil. Dentre as produções mais conhecidas há o drama sobrenatural Ghost - Do Outro Lado da Vida, o dançante Dirty Dancing, e um dos melhores filmes de ação dos anos de 1990, Caçadores de Emoção.
Como a personagem que interpretou em Caçadores de Emoção, Boddhi Satva, ele agora deve estar surfando na onda perfeita e curtindo cada momento em paz.
Ele foi um dos que marcaram toda uma geração, aquela mesma em que se passava as tardes da semana grudados no canal plim plim de televisão. Vai com Deus!

Clique no link e veja uma das cena smemoráveis do ator em Dirty Dancing!
Arraste-me Para O Inferno
Sam Raimi está de volta no gênero que o consagrou com o um dos diretores mais Cult: Terror! Foram-se os anos em que o nome do diretor era bem lembrado pela trilogia, misto de comédia e horror, Uma Noite Alucinante. Depois conquistou Hollywood pelo belo trabalho desempenhado nos três filmes de Homem Aranha.

Um regresso ao que o fez hype era inevitável, principalmente após o sucesso da franquia do cabeça de teia. Muito bem, vamos a Drag Me To Hell!

A história já inicia de cara assustando os espectadores. O jovem menino Juan, em 1969, rouba um grupo de ciganos e lhe é lançado uma maldição que culmina na ida, sem filas direto, para as profundezas do inferno. Parece exagerado, concordo, mas é exatamente isso que vemos, e sem frescuras. Os objetos de movem e se quebram, os familiares e Shaun San Dena, mulher a quem foram pedir ajudar para desfazer o feitiço, são arremessados e o garoto jogado ao chão que racha e revela fendas iluminadas pelo mar de fogo das profundezas. Ele é engolido e não sai mais.

Após um fade a tela muda para os dias atuais e conhecemos Christine Brown, interpretada pela linda Alison Lohman, de Os Vigaristas. Ela é uma jovem bancária que sonha com a promoção, mas que tem um forte candidato, e puxa saco do patrão, que dificulta as chances já que ela até agora não tomou decisões difíceis.
Quando a velha, e repulsiva, Ganush pede mais um adiamento para a extensão do financiamento à jovem, Christine tem a chance de dar mais um tempo para senhora para que não perca a casa ou... tomar uma decisão difícil: negar o pedido e deixá-la sem o lar.

Óbvio que almejando um cargo maior que a segunda opção é a escolhida. É quando Ganush transforma a bela em um objeto de vingança e a amaldiçoa. O fim dela, de acordo com a maldição, é ir para o inferno, mas não antes de fazê-la pirar com visões e ataques de um demônio chamado Lâmia, o mesmo que perseguira o garoto na introdução da história. Aliás, cenas essas extremamente enervantes ao longo da narrativa. Como se proteger de algo que mesmo que possa ver – em vultos e sombras –, ouvir e não se pode tocar?

Sam Raimi não economiza nos sustos! Mesmo! Quer dizer, o quão clichê pode ser um filme desse gênero? Momentos silenciosos, talvez até mais do que o esperado deixando quem está na poltrona inquieto, desejando logo que venha o susto e arrancar de uma vez o mal pela raíz. Mas não. Com a câmera vai fechando um close lentamente na loirinha e vemos o verdadeiro pavor surgir no semblante. Acredite, após todos esses anos o diretor ainda sabe criar um clima bem tenso.

Mas o filme ganha uma bela força porque, como na trilogia de Ash, há uma mistura de gêneros que consagrou Raimi. Antes de tudo começa pelo roteiro: Garota descobre que vai para o inferno e o namorado Clay Dalton (Justin Long), cético, diz que tudo não passa de besteira, uma verdadeira paranóia e que acredita que ela acredita que as coisas que vê e ouve são reais.

Descobre o médium Rham Jas que serve de conselheiro para saber como se livrar do encosto. Quando está a se consultar com ele, temos mais um dos momentos engraçados do filme que é a implicância de Clay achando que o vidente Rham não passa de um charlatão. Como é de praxe, bom humor não falta na película, talvez a melhor seja o jantar que Christine tem na casa dos sogros.

Depois os sustos, comédias, bons diálogos, piadas, efeitos sonoros de arrepiar, susto e assim segue... você já conhece a fórmula. Outro bom exemplo é numa cena pra lá de batida onde se tem Christine atacada pela velha Ganush dentro do carro. Uma louca, porém coesa mistura de risadas e espantos, além de momentos bem nojentos: Por mais que Lohman seja linda é deveras broxante e verdadeiramente repugnante ver a velhaca carcumida e caolha com a boca pútrida, sem a dentadura, chupando e lambuzando o queixo e boca da loirinha. Em cenas seguintes o namorado interpretado por Justin Long a beija apaixonadamente.

Arreste-me Para o Inferno tem potencial para ser o novo clássico do escritor e diretor, tem até pitadas de O Exorcista, provando mesmo um retorno às origens com uma bela ‘pegadinha’ no final. Ah, e caros amigos, Alison Lohman consegue ser muito sexy até mesmo suja de lama desenterrando uma cova.

Num ano onde a decepção pairou sobre produções voltadas à robôs alienígenas e explosões, e luta entre mutantes de incríveis poderes, Sam Raimi demonstra claramente ser uma grata surpresa para 2009.

Classificação: Mandou ver!