Juno
‘Alternativo’ é a palavra que bem descreve o roteiro de Diablo Cody, uma ex stripper e ex-atendente de tele sexo, em sua obra intitulada Juno; e coube a Jason Reitman captar a essência da escritora para pô-la nas telas. A estória conta com recursos de animação durante a introdução, um pouco de soft music com violão e vocais suaves, além de desfrutar ângulos de câmera que vão desde a tela cheia abrindo aos poucos sem cortes, mostrando um plano mais panorâmico.

Ledo engano a quem pensar que a película é um mais um draminha sobre a típica gravidez na adolescência e tão pouco se este é mais um filme teen. Tudo começa numa manhã de Outono quando Junebug McGuff, interpretada competentemente por Ellen Page (a Kitty de X-Men 3), está a relembrar do seu melhor amigo Paulie Bleeker (Michael Cera) em seu jardim. Lá do lado de fora, ela olha para cadeira na qual tenta se desfazer justamente por ter mantido nesta a sua relação de uma noite com o garoto atrapalhado e de poucas palavras.
Depois de três testes de gravidez encara a verdade e precisa escolher entre abortar ou ter a criança. Quando decidido que daria à luz, convence-se de que não pode criar um bebê e que doação seria a melhor solução, mas antes... Contar aos pais sobre a gravidez. Em seguida, é hora de procurar o casal ideal a quem possa confiar e garantir o futuro da criança. Entra em cena Jason Bateman (da série Arrested Development) e Jennifer Garner (Elektra e série Alias).

Mark Loring (Bateman) é compositor que trabalha em comerciais e ama música. Por causa de interesses em comum ou diferente, estabelece uma relação de convivência com Juno. Seus desacordos vão desde o melhor período do Rock ‘n’ Roll, que na visão dele é na década de 90, mas que para ela é em 1977 com o movimento Punk; à Dario Argento, mestre do terror na razão dela e que para ele são os Slash Movies, a grande graça de filmes de sangue...

Já Vanessa Loring (Garner) é uma mulher emotiva com instinto maternal nato. O desejo ardente em ser mãe aumentou depois de cinco anos ao tentar engravidar com o marido sem nenhum sucesso. Em contraposição ao lado mais sensível há uma característica um tanto tediosa, já que é obcecada, minuciosa em cada detalhe e pragmática com a vida. Com absolutamente tudo programado, sua personalidade se reflete desde o jeito que se veste até a forma de arrumar a casa e relacionar-se com o marido, que o vê como desleixado forçando-o a omitir das coisas do interesse dele. Mesmo assim, não deixa de ser atraente como uma jovem garota de 16 anos tem o potencial de conceder a chance de felicidade e concretização de um sonho almejado com muito custo.

A relação entre o casal e a jovem é bem estruturada, e logicamente Juno é o centro dessa roda gigante de interações bem emotivas. Destaque evidente é a solidez e as curiosidades, para não citar esquisitices, de alguns personagens como Mac McGuff, vivido por J. K. Simmons (J. Jonah Jameson da Trilogia Homem Aranha) o paizão careta divorciado há dez anos, que ama sua família incondicionalmente; Sierra Pitkin que encarna Liberty Bell, a irmã caçula ao estilo Pequena Miss Sunshine, amante de patinação no gelo; Allison Janney que interpreta Bren McGuff, a madrasta que a trata como filha tendo uma verdadeira obsessão por cachorros e não os tem por um simples motivo (pasme): sua enteada é alérgica a saliva de cachorro! E vemos Bleeker, viciado por Tic-Tacs de laranja e atleta de Jogging apaixonado pela personagem central, com sua bandana, short amarelo, munhequeira e meias na altura das canelas que dão um ar levemente ridículo, mas de bom humor.

A cada vez que um suspiro de alívio e/ou um assunto tem sua conclusão, vemos a tela escurecer no efeito de fade e uma indicação de qual estação de ano estão. Esta é a forma de passagem temporal sutil que serve como contagem regressiva até a hora do parto, e todo o desenrolar destas curiosas personas está ai e têm o seu encerramento no Verão.

Foi por merecer o Oscar de Roteiro Original, e o filme é atraente a todos, seja para um homem de 65 anos ou um garoto de 15, uma mulher que não queira ter filhos ou que tem o sonho de engravidar, afinal é um filme sobre a vida. Tão cativante foi a experiência de ver Juno que havia até mesmo três mulheres grávidas esperando pela próxima sessão do mesmo.
3 Responses
  1. Rafael Ramos Says:

    Caraca Efra
    Você se supera a cada texto que escreve
    Esse então está completíssimo
    Parabéns, cara
    Sorte pra você no JORNALISMO CULTURAL


  2. Mais uma boa dica do Efra!

    Abração!!!


  3. André Says:

    Simplesmente maravilhoso esse filme. Juno, garota enxaqueca mas extremamente cativante.