Sherlock Holmes

Postado em 28 de Janeiro de 2010

Sherlock Holmes é diversão, só! E isso é elementar, caros cinéfilos!


Robert Downey Jr é um ator que já brindou o espectador com alguns belos personagens ao longo da carreira, e é uma pena que Hollywood o tenha ‘descoberto’ de uma forma tardia, já que bastou fazer Homem de Ferro e agora ele está na crista da onda.

O mesmo magnestismo ocorre em Sherlock Holmes de Guy Ritchie? Um pouco, se comparado aquele outro personagem da Casa das Idéias. Entenda bem, o filme é entretenimento, e Downey Jr junto com Jude Law – o inseparável amigo John Watson – formam uma bela dupla encorpando lutas, investigações, dramas pessoais e momentos repentinamente cômicos.

Apesar de (pasme!) pouco asseado e psicologicamente à beira de um surto, a personagem título é um gênio, insolente, divertido, um mulherengo canastrão e sofisticado que o faz lembrar outro, e mais famoso, personagem que interpretara a dois anos na obra de Jon Favreau.

No conto de Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes é extremamente cerebral, minucioso e astuto. Quanto a isso fique despreocupado porque é um ponto certeiro no roteiro de Michael Robert Johnson, Anthony Peckham e Simon Kinberg. Mesmo com a diversão, pode haver certa resistência dos mais reacionários e tradicionais, já que há uma fuga completa da visão clássica das obras.

O método científico e a lógica dedutiva no desvendar de pistas, ou mesmo no combate corpo a corpo, é de bater palmas, apesar de um excesso aqui e acolá. Falando em lutas, nos contos o detetive é descrito também como um excelente pugilista e esgrimista, e Ritchie usou e abusou da habilidade marcial de Holmes. Quando há chance são socos, ponta-pé e quebra-quebra. Ah, esses diretores e filmes caça-níqueis...

A trama

O filme já inicia com a dupla no ápice do desvendar de uma série de assassinatos ocorridos em rituais satânicos por toda Londres vitoriana do século XIX, e o Lorde Blackwood – interpretado muitíssimo bem por Mark Strong – é a figura sinistra por detrás de tudo.

Sentenciado à enforcamento, Blackwood jura que a morte é apenas o princípio, e a obra dele continuará. E assim é. A personagem misteriosamente retorna do mundo dos mortos, desaparecendo do túmulo, e uma nova leva de assassinatos desafia o exercício intelectual de Holmes e Watson. Em paralelo um espacinho no roteiro para draminhas pessoais e desarmonia envolvendo os personagens principais, mas que na verdade arrancam algumas risadas da platéia (seria tais atritos um alívio cômico ou artifício para ocultar a ligeira falta profundidade no roteiro?).

Complexando, e intrigando, mais a história... entra em cena Irene Adler, a única pessoa que já fez a proeza de fazer de idiota, segundo doutor Watson, o mais brilhante detetive das estórias, e por duas vezes! Sua participação poderia ser de certo descartável – apesar da boa atuação de Rachel McAdams - se não fosse o gancho que ela dá para a seqüência garantida nos cinemas. Tá ai um belo exemplo de McGuffin, como diria Alfred Hitchcock, que a trinca de roteiristas usa e desenvolve na película.

Sherlock Holmes é diversão garantida, o filme ideal para as férias, valendo o ingresso e não espere mais disso. Há química entre os atores, mistérios, reviravoltas, lutas, personagens arquétipos e tudo na medida certa como deve ser um filme pipoca.

Divirta-se ao ver Robert Downey Jr e Jude Law socados, explodidos, e desafiados a montar um quebra-cabeça de evidências sob a ótica de Guy Ritchie.

Classificação: Mandou Ver

Avatar
James Came­ron é um mago dos cine­mas, e há vinte e cinco anos quando trouxe ao mundo O Exter­mi­na­dor do Futuro, pas­sou a tri­lhar o cami­nho que o con­sa­gra­ria como um dos mais pro­lí­fi­cos dire­to­res que já pas­sou por este pla­neta.

Ele rotei­ri­zou Ava­tar há um bom tempo, com uma trama básica, mas lite­ral­mente enga­ve­tou a idéia, esquecendo-a, afi­nal, não havia tec­no­lo­gia para fazer jus ao que ele pro­pu­nha no conto. E foi assim até que, certo dia, o homem reti­rou o calha­maço de onde guar­dara, lite­ral­mente tirando a poeira, e viu que ali real­mente havia um enorme poten­cial para um épico.
Foi pouco mais de uma década de pura e cal­cu­lada pre­pa­ra­ção, de aca­ba­mento no roteiro, busca pelo aper­fei­ço­a­mento tec­no­ló­gico com a ajuda dos melho­res artis­tas do ramo para tor­nar tudo “real”.

Então a Fox arcou com o orça­mento de 400 milhões de dóla­res, um dos mais caros inves­ti­men­tos nessa indús­tria. Foi assim que Came­ron rom­peu o jejum de doze anos de dire­ção. Ele tinha atin­gido o seu ápice com Tita­nic, nada menos que a maior bilhe­te­ria da His­tó­ria do Cinema, e agora, final­mente, tem os recur­sos neces­sá­rios para tor­nar o uni­verso de ima­gens, sons, cores e tex­tu­ras quase que pal­pá­veis na tela de pro­je­ção. O estú­dio sim­ples­mente embar­cou no auda­ci­oso pro­jeto. Era o mínino, já que ele se tor­nou um dos cine­as­tas mais ren­tá­veis da casa.

Mas chega de enro­la­ção. Senho­ras e senho­res vamos a Avatar.

Jake Sul­li­van (inter­pre­tado pelo ator Sam Worthing­ton) é um marine para­plé­gico que embarca numa via­gem espa­cial que dura cinco anos para che­gar ao pla­neta Pan­dora, o local mais hos­til que um ser humano pode estar. Ele faz parte de um pro­grama em que a cons­ci­ên­cia humana é trans­fe­rida a um ava­tar, um corpo que é a mis­tura de DNA humano com os nati­vos do pla­neta, os Na’vi. A fun­ção é se inte­grar aos habi­tan­tes locais, conhe­cendo a cul­tura e ganhar a con­fi­ança deles.

O motivo dessa emprei­tada é clara: Uma empresa mine­ra­dora quer o pre­ci­oso unob­ta­nium, abun­dante nas flo­res­tas, e com Jake na forma Na’vi as chan­ces dessa espé­cie ceder aos pla­nos dos huma­nos fica mais tan­gí­vel, teo­ri­ca­mente. Mas a ver­dade é que a região está ame­a­çada pela devas­ta­ção, e a impa­ci­ên­cia dos mili­ta­res cresce cada vez mais.

Enquanto que Sel­fridge (Gio­vanni Ribisi) — responsável pela empresa mine­ra­dora — e o Coro­nel Qua­ritch (Stephen Lang) estão exci­ta­dís­si­mos na busca por sub­ju­ga­ção, entra em cena a Drª. Grace (Sigour­ney Wea­ver), uma cien­tista com fun­ção diplo­má­tica como con­tra peso à igno­rân­cia capi­ta­lista e mili­tar. Ela ‘cate­quiza’, na forma de um Na’vi, os huma­nói­des, pro­vi­den­ci­ando cui­da­dos médi­cos, ensi­nando a lin­gua­gem humana, etc. Mas o cho­que entre cul­tu­ras é ine­vi­tá­vel, e o ‘Povo do Céu’ — os huma­nos – se per­pe­tua como os ali­ens, os inva­so­res, os vilões.

A trama lem­bra o con­ceito de his­tó­rias como O Último Samu­rai ou O Último dos Moi­ca­nos pela ques­tão do cho­que de cul­tura. Faça­mos um para­lelo entre Jake Sul­li­van e o capi­tão Algren — Tom Cruise na obra de Edward Zwick. Enquanto que Algren foi cap­tu­rado, Jake se deixa inse­rir na comu­ni­dade a ser estu­dada. Mas o que real­mente têm em comum é que ficam imer­sos na alte­ri­dade da cul­tura, assimilado-a, apren­dem a amá-la e no final um embate de gran­des pro­por­ções, dando a vida para protegê-la das for­ças mili­ta­res que enviou-lhe até lá.


Per­fei­ta­mente lógico tam­bém fazer uma com­pa­ra­ção entre os Na’vi e a tribo dos Moi­ca­nos – do céle­bre filme onde Daniel Day Lewis inter­pre­tou Haw­keye. É de uma beleza infin­dá­vel os deta­lhes, a lin­gua­gem (que real­mente foi cri­ada), as cores, as flo­res­tas e seres lumi­nes­cen­tes, por serem extre­ma­mente atre­la­dos à ideia da dei­dade que os une, uma ener­gia que dá vida a tudo — Eywa. Outro ponto a des­ta­car é o espí­rito bravo e indo­má­vel dos nati­vos, que está extre­ma­mente refle­tido em Ney­tiri, per­so­na­gem de Zoe Sal­dana, o inte­resse amo­roso de Jake. É atra­vés dela que o herói é aceito pelos Na’vi, já que o sal­vara por ter um cora­ção puro, embora tei­moso e baru­lhento como uma criança.

A cap­tura de movi­men­tos está fan­tás­tica, bem como a com­pu­ta­ção grá­fica res­pon­sá­vel pela ambi­en­ta­ção, a ponto de não dis­tin­guir o que é real ou não, além de vários pla­nos de câmera mais aber­tos trans­pa­re­cendo a gran­deza do cená­rio de cacho­ei­ras, rochas, hori­zonte, o céu enso­la­rado, as flo­res­tas, e em dados ins­tan­tes, a câmera lenta em momen­tos mais ten­sos de bata­lha e efer­ves­cên­cia emo­ci­o­nal. Tudo foi basi­ca­mente cri­ado do zero. É impres­si­o­nante e difí­cil ima­gi­nar o enge­nho focado em tama­nho pro­jeto, mas no final é pos­sí­vel ver o resul­tado em Avatar.

É impres­si­o­nante a riqueza de cada deta­lhe é poten­ci­a­li­zada em clo­ses, com expres­sões faci­ais sutis, linhas do rosto, a refle­xão e absor­ção de luz na pele, o escor­rer de lágri­mas, a silhu­eta de cor­pos dese­nha­das no neón, etc.

Exis­tem pelí­cu­las de fic­ção cien­tí­fica que cer­ta­mente mar­cam a his­tó­ria da cine­ma­to­gra­fia mun­dial: Tri­lo­gia de Star Wars, De Volta Para O Futuro, Indi­ana Jones, Blade Run­ner, O Exter­mi­na­dor do Futuro 1 e 2, Ali­ens – O Res­gate, Matrix, entre outros. Se Ava­tar vai ou não se incluir no mesmo pan­teão, isso cabe a você espec­ta­dor deci­dir apon­tando o dife­ren­cial. A tec­no­lo­gia sabi­a­mente empre­gada em cada cena vai gerar essa discussão.

Mas mesmo com per­so­na­gens bem desen­vol­vi­dos e sem firu­las no fácil desen­ro­lar dos 162 minu­tos de acon­te­ci­men­tos, fique avi­sado que não há revi­ra­vol­tas ou momen­tos real­mente ines­pe­ra­dos. A his­tó­ria nos con­duz a cami­nhos já conhe­ci­dos, como águas vin­das da nas­cente que desem­bo­cam na foz. Você já conhece o des­tino. Mas é inte­res­sante saber como essa jor­nada se dá, e a tec­no­lo­gia se ajusta per­fei­ta­mente a isso como uma cober­tura espe­cial assen­tando uma cereja no topo do bolo, que dá todo o sabor especial.

Defi­ni­ti­va­mente 2009 foi o ano da ficção-científca, e Ava­tar é parada obri­ga­tó­ria para quem curte uma boa his­tó­ria, e você vai se sen­tir imerso num novo e bravo mundo, o qual James Came­ron conceituou!

Classificação: Explosão Áudio-Visual!
Morre Brittany Murphy


Infelizmente faleceu na manhã deste domingo dia 20 de dezembro de 2009, em Los Angeles, a atriz Brittany Murphy. Suspeita-se de que fora por ataque cardíaco fulminante.


Segundo bombeiros de Los Angeles, Simon Monjack, o marido da atriz, foi quem fez o telefonema de emergência às oito da manhã – duas da tarde no horário de Brasília.

De acordo com o site TMZ a atriz deu entrada no Cedars-Sinai Medical Center já morta. Por enquanto não há mais informações.

Brittany fez parte de comerciais na infância. Na década de 90 fez participações na série Blossom, apresentada no Brasil pelo SBT, e em 1995 no filme As Patricinhas de Beverly Hill. Em 1996 atuou em Drive - Tensão Máxima, ao lado de Mark Dacascos e Kadeem Hardison, e em 1999 no drama Garota Interrompida com Angelina Jolie e Whoopi Goldberg. Mas foi em 8 Mile - Rua das Ilusões que obteve reconhecimento profissional. Mais tarde esteve em Sin City de Robert Rodriguez.

Efraim Fernandes, como todos, foi pego de surpresa
Morre Lombardi
Uma das vozes mais icônicas da TV brasileira, Luiz Lombardi Neto faleceu na manhã desta quarta feira (02 de dezembro de 2009) em sua casa. O locutor acompanhou Silvio Santos por anos, tornado-se uma marca registrada no programas dominicais do SBT.


O corpo foi encontrado, segundo o irmão, Reinaldo Lombardi, na residência dele em Santo André pela esposa do locutor, Eni, que constatou que Lombardi estava morto na cama. Ele não sofria de nenhuma doença, porém uma de suas sobrinhas, chamada Adriana, suspeita de infarto.

Silvio Santos ao saber da notícia, cancelou uma gravação que ocorreria esta manhã, chegando à emissora visivelmente abatido e chateado. A despedida deve ser realizada na Câmara Municipal de Santo André, e será aberta ao público, acordo esse feito entre a emissora de Sílvio e os familiares do profissional.

A emissora que abrigou Lombardi, o SBT, fez uma declaração oficial: “É com muita tristeza que o SBT comunica o falecimento do grande companheiro de Silvio Santos e da emissora, Luiz Lombardi Neto, de 69 anos”. Celso Portiolli também se mostrou comovido: “Perdi um grande amigo. Pessoa digna e de uma extrema bondade. Sempre me ajudou”.

Lombardi nasceu no ano de 1941 e começou na carreira ao lado do homem do Baú no inico da decada de 70, e a amizade entre ambos era grande, sendo que Silvio não começava nenhuma gravação enquanto Lombardi não estivesse presente.
Morre Herbert Richers

É com pesar que o pioneiro da indústria da dublagem no Brasil, Herbert Richards, faleceu hoje, dia 20, aos 86 anos de idade no Rio de Janeiro. Herbert estava internado na CTI da clínica São Vicente desde o dia 8, sofrendo de problemas renais cerca de um ano. O cineasta e produtor nasceu em Araraquara, São Paulo, em 11 de março de 1923.

O dublador Guilherme Briggs mostrou-se emocionado com o ocorrido: "Era um senhor de idade, mas mesmo assim não conseguia acreditar quando soube da noticia. Desde criança eu associo o nome dele à dublagem."


Orlando Drummond, famoso por vozes como Scooby-Doo e Alf, também declarou comoção: "Foi com ele que comecei a trabalhar com dublagem, foram cinquenta anos juntos. Ontem pensei tanto nele... Herbert foi um lutador, é uma perda irreparável para o mercado de dublagem.”

Os familiares e amigos darão adeus no velório que acontece hoje, a partir das 14h, na capela 1 do cemitério Memorial do Carmo, no Rio.

A maior parte dos filmes dublados em português foram através dessa mesma dubladora que marcou a vida de tantos brasileiros.

E para Herbert Richards, uma salva de palmas para todo o trabalho desempenhado por ele!
Bastardos Inglórios

Quentin Tarantino realmente sabe deixar a sua marca nos filmes que realiza. Da violência praticamente gratuita e estilizada que traz como precedente os diálogos afiados, intrigantes e curiosos, para de fato começar um banho de sangue e mortes. Com a mais nova obra, Bastardos Inglórios, não foi diferente.


Como de praxe nas histórias que dirige a narrativa é divida por capítulos, mas ao contrário de Pulp Fiction, referência mor do cineasta, o conto segue uma linha temporal contínua, ou seja, não há vai-e-vem, e particularmente foi em ordem cronológica que a produção foi gravada, fator raro em Hollywood.

O ponto forte de Tarantino, sem dúvida, é a interação e construção dos personagens, a começar pelo coronel Hans Landa (o ator Christopher Waltz), o ‘Caçador de Judeus’ na introdução tensa ao dialogar com um homem suspeito de abrigar fugitivos judeus numa fazenda. De certo o que tem mais presença ao longo de uma hora e meia de fita. O jeito como a câmera circunda os atores à mesa e a tensão na música de fundo - o maestro italiano Ennio Morricone compõe parte da trilha do filme- já prenunciam massacre. De lá a jovem Shosanna foge sendo a única sobrevivente.

Quatro anos depois a personagem é dona de um cinema em Paris, território controlado por nazistas, no auge da Segunda Grande Guerra, e sua beleza chama a atenção de Frederick Zoller (Daniel Brühl), que estrela uma película que reforça o poderio alemão frente aos inimigos de guerra. Por ter reconhecimento de bravura dentre os militares alemães, ele consegue a chance de fazer a estreia desse mesmo filme no cinema da bela jovem, querendo em troca, obviamente, afagos da loira que não correspondidos.

Já os ‘bastardos’ formam uma divisão especial de soldados americanos e judeus que tem um objetivo somente: Matar os nazistas, como o próprio tenente Aldo Raine (Brad Pitt) diz aos seus subordinados.
A obsessão dele reforçada pelo sotaque do Tennessee ao falar sobre como adora identificar e matar cada nazista filho-da-mãe que puder é de um transtorno obsessivo impagável!

Apesar de protagonista, não se engane... ele consegue ser tão doentio quanto os adversários, afinal, não é nada normal exigir cem escalpos de cada um dos soldados que comanda.

Se violência não lhe agrada, caro leitor, então a história certamente não é para você já que é um dos mais violentos de toda a filmografia de Tarantino. A cena que justifica tal fato é quando um prisioneiro nazista é mantido sob o comando da personagem de Pitt, e quando se recusa a ajudar os bastardos entra em ação o brucutu do sargento Donnie Donowitz, também atendendo pela alcunha de ‘Urso Judeu’ (Eli Roth). Aqui, violência gratuita, e até desnecessária, ao vê-lo estourar a cabeça do prisioneiro de guerra com um bastão de beisebol. Isso foi apenas o começo do que estava por vir, mas acalme-se já que apesar do tamanho nível brutalidade, este ocorre em momentos específicos, bem espaçados entre longos diálogos acompanhados de planos de câmeras.

A união dos caminhos dos bastardos e de Shosanna é justamente a noite no cinema o qual todos os grandes cabeças do Terceiro Reich estarão alocados. A atriz e agente infiltrada Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger) é o elo para fazer com que os soldados americanos tenham a chance de acabar com a guerra, executando o plano de matar Adolf Hilter. Mas apesar da simplicidade do plano de Aldo, na prática, ele e os bastardos passam por poucas e boas, com um desfecho digno de aplausos.

Se for fã do diretor não pode perder a forma como é conduzida a história e é lapidada a personalidade de cada um que brota na tela de projeção. Vá ao cinema ver testículos estourados, diálogos afiados, mortes insanas, escalpos, tiroteios e um Hitler histérico, ruborizado e respingando perdigotos ao ar, simplesmente porque Tarantino ainda é o cara!





Morre Patrick Swayze
O grande ícone oitentista, Patrick Swayze de 57 anos, morreu nesta segunda -feira 14 de setembro devido a complicações por causa do câncer contraído no inicio do ano passado.
Swayze era um ator versátil. Dentre as produções mais conhecidas há o drama sobrenatural Ghost - Do Outro Lado da Vida, o dançante Dirty Dancing, e um dos melhores filmes de ação dos anos de 1990, Caçadores de Emoção.
Como a personagem que interpretou em Caçadores de Emoção, Boddhi Satva, ele agora deve estar surfando na onda perfeita e curtindo cada momento em paz.
Ele foi um dos que marcaram toda uma geração, aquela mesma em que se passava as tardes da semana grudados no canal plim plim de televisão. Vai com Deus!

Clique no link e veja uma das cena smemoráveis do ator em Dirty Dancing!
Arraste-me Para O Inferno
Sam Raimi está de volta no gênero que o consagrou com o um dos diretores mais Cult: Terror! Foram-se os anos em que o nome do diretor era bem lembrado pela trilogia, misto de comédia e horror, Uma Noite Alucinante. Depois conquistou Hollywood pelo belo trabalho desempenhado nos três filmes de Homem Aranha.

Um regresso ao que o fez hype era inevitável, principalmente após o sucesso da franquia do cabeça de teia. Muito bem, vamos a Drag Me To Hell!

A história já inicia de cara assustando os espectadores. O jovem menino Juan, em 1969, rouba um grupo de ciganos e lhe é lançado uma maldição que culmina na ida, sem filas direto, para as profundezas do inferno. Parece exagerado, concordo, mas é exatamente isso que vemos, e sem frescuras. Os objetos de movem e se quebram, os familiares e Shaun San Dena, mulher a quem foram pedir ajudar para desfazer o feitiço, são arremessados e o garoto jogado ao chão que racha e revela fendas iluminadas pelo mar de fogo das profundezas. Ele é engolido e não sai mais.

Após um fade a tela muda para os dias atuais e conhecemos Christine Brown, interpretada pela linda Alison Lohman, de Os Vigaristas. Ela é uma jovem bancária que sonha com a promoção, mas que tem um forte candidato, e puxa saco do patrão, que dificulta as chances já que ela até agora não tomou decisões difíceis.
Quando a velha, e repulsiva, Ganush pede mais um adiamento para a extensão do financiamento à jovem, Christine tem a chance de dar mais um tempo para senhora para que não perca a casa ou... tomar uma decisão difícil: negar o pedido e deixá-la sem o lar.

Óbvio que almejando um cargo maior que a segunda opção é a escolhida. É quando Ganush transforma a bela em um objeto de vingança e a amaldiçoa. O fim dela, de acordo com a maldição, é ir para o inferno, mas não antes de fazê-la pirar com visões e ataques de um demônio chamado Lâmia, o mesmo que perseguira o garoto na introdução da história. Aliás, cenas essas extremamente enervantes ao longo da narrativa. Como se proteger de algo que mesmo que possa ver – em vultos e sombras –, ouvir e não se pode tocar?

Sam Raimi não economiza nos sustos! Mesmo! Quer dizer, o quão clichê pode ser um filme desse gênero? Momentos silenciosos, talvez até mais do que o esperado deixando quem está na poltrona inquieto, desejando logo que venha o susto e arrancar de uma vez o mal pela raíz. Mas não. Com a câmera vai fechando um close lentamente na loirinha e vemos o verdadeiro pavor surgir no semblante. Acredite, após todos esses anos o diretor ainda sabe criar um clima bem tenso.

Mas o filme ganha uma bela força porque, como na trilogia de Ash, há uma mistura de gêneros que consagrou Raimi. Antes de tudo começa pelo roteiro: Garota descobre que vai para o inferno e o namorado Clay Dalton (Justin Long), cético, diz que tudo não passa de besteira, uma verdadeira paranóia e que acredita que ela acredita que as coisas que vê e ouve são reais.

Descobre o médium Rham Jas que serve de conselheiro para saber como se livrar do encosto. Quando está a se consultar com ele, temos mais um dos momentos engraçados do filme que é a implicância de Clay achando que o vidente Rham não passa de um charlatão. Como é de praxe, bom humor não falta na película, talvez a melhor seja o jantar que Christine tem na casa dos sogros.

Depois os sustos, comédias, bons diálogos, piadas, efeitos sonoros de arrepiar, susto e assim segue... você já conhece a fórmula. Outro bom exemplo é numa cena pra lá de batida onde se tem Christine atacada pela velha Ganush dentro do carro. Uma louca, porém coesa mistura de risadas e espantos, além de momentos bem nojentos: Por mais que Lohman seja linda é deveras broxante e verdadeiramente repugnante ver a velhaca carcumida e caolha com a boca pútrida, sem a dentadura, chupando e lambuzando o queixo e boca da loirinha. Em cenas seguintes o namorado interpretado por Justin Long a beija apaixonadamente.

Arreste-me Para o Inferno tem potencial para ser o novo clássico do escritor e diretor, tem até pitadas de O Exorcista, provando mesmo um retorno às origens com uma bela ‘pegadinha’ no final. Ah, e caros amigos, Alison Lohman consegue ser muito sexy até mesmo suja de lama desenterrando uma cova.

Num ano onde a decepção pairou sobre produções voltadas à robôs alienígenas e explosões, e luta entre mutantes de incríveis poderes, Sam Raimi demonstra claramente ser uma grata surpresa para 2009.

Classificação: Mandou ver!
Morre John Hughes






Se você está na casa dos vinte e poucos anos com certeza já ouviu falar no nome de John Hughes e já viu os filmes dele na Sessão da Tarde, mesmo que não saiba quem ele era.

Ele é responsável por clássicos como Mulher Nota Mil, Curtindo a Vida Adoidado, Clube dos Cinco, Negócio Arriscado e por ai vai.
O diretor/produtor era conhecido por retratar bem as angústias, sucessos e fracassos do universo jovem de forma a divertir e emocionar, nunca deixando de dar o devido valor a essa fase. Ele trouxe credibilidade a essa época da vida em que todos passam, momento de cosntrução de identidade. Foi dele que muitos adolescentes viam a válvula de escape para as pressões do dia-a-dia e talvez ninguém ate hoje tenha conseguido retratar a sociabilização de jovens como Hughes.

Ele falecerá hoje, 6 de agosto, enquanto fazia uma caminhada em Manhattan, em Nova Iorque. Ele tinha 59 anos.

A atual geração NX Zero, Jonas Brothers, HSM e afins estão perdidas… Fico imaginando se haverá pessoas que tinham o mesmo brilhantismo de caras como Hughes na época atual, que possa fazê-los ter aquele sentimento de infância bem vivida como a que nós tivemos!

Clique no título e veja uma montagem dos filmes do cara!

Vai com Deus, Hughes!
Revenge of the Fallen
Apesar das críticas negativas que o filme recebeu, e da reclamação do senhor explode-explode Michael Bay à Paramount quanto à fraca divulgação do mais novo blockbuster do pedaço, uma coisa é inegável: o diretor faz jus à reputação que porta.

Quanto a essa reclamação, Bay pode ficar mais tranqüilo já que o mais novo trabalho do piromaníaco diretor quase bateu O Cavaleiro das Trevas como o filme a alcançar a marca de 200 milhões de dólares mais rápido. Sem falar que o longa estreou em 58 países e desde seu debute, dia 23 de junho, já alcançou a cifra de 363, 2 milhões de dólares no mundo!!! Imagina se houvesse uma forte campanha aos olhos do diretor.

Antes de começar, um aviso a você, leitor, é que o texto a seguir pode conter spoilers. Continua ai? Beleza.

Há dois anos Shia Labeouf era um nome a se guardar. Hoje, ele é um jovem de 23 anos vivendo na crista da onda de Hollywood, assim como a belíssima Megan Fox. Ela, no primeiro filme era só decotes, um belo par de olhos, barriguinha tanquinho, caras e bocas.


Na seqüência não poderia deixar de ser diferente, vide a cena em que a nossa raposinha está montada numa turbinada moto, trabalhando numa oficina mecânica. Mais sexista do que isso, impossível. A ordem é atrair o máximo de público possível – entendam como homens, mesmo.


Voltando a produção em si, vamos à pergunta central. Revenge of the Fallen é melhor que o primeiro filme? A resposta é sim. Porém, isso vai gerar discussões já que se vê na tela a todo o momento as coisas extraordinárias da aventura de 2007, só que em maior escala. E isso não quer dizer coisa boa, já que o ponto negativo é tudo estar em demasia.

Logo, as ‘falhas’ do primeiro filme podem ser mais gritantes na segunda parte, ofuscando os momentos que fazem desta seqüência melhor que o original. Uma reclamação de alguns eram as lutas entre os robozões muito rápidas e pouco nítidas. Neste não é diferente. Porém, Bay concentrou-se um pouco mais nas expressões faciais e gesticulações dos robozões, e quer saber? Ponto pra ele!

O filme tem lá seus excessos, é uma verdade. Por exemplo, entrou para o livro dos recordes por conter em uma cena a maior proporção de explosões já feita num longa metragem. E mais, as constantes piadas entre os robôs gêmeos - que tiveram um toque peculiar com a dublagem especialmente feita para nós, os brasileiros -, o pequeno robozinho com desejos sexuais pela ‘deusa guerreira’ Mikaela, e por ai vai.



E quando a gente menos espera, a cena em que vemos a bunda de John Turturro antes de ‘comandar’ uma invasão a nada mais e nada menos que ao museu Smithsonian com três adolescentes e uma arma de choque, acabando por desacordar todos os seguranças e despertar Jetfire, o Decepticon ancião vira-casaca, sem serem pegos!


Mas o ponto certeiro da película é o aprofundamento na mitologia dos seres autômatos de Cybertron. Descobrimos logo de cara, na introdução, que a Terra já foi visitada há dezessete mil anos por eles. Como em Transformers, a narração em off de Optimus Prime, dublada competentemente e de imponência por Guilherme Briggs, que já nos brinda um clima de preparação.


Sam vira alvo dos robôs do mal, principalmente de Fallen ansiando por vingança contra Optimus - daí o título do filme -, e quer o garoto já que tem na mente todo o necessário para encontrar as origens do mundo deles, e a busca pelo Energon, a fonte de energia nunca antes vista.


O mundo agora sabe da existência dos robôs alienígenas, e o governo e militares acobertam tudo da melhor maneira que podem, graças a formação do grupo NEST. Os Autobots nos últimos dois anos ajudam os militares do tio Sam e uma força militar internacional, eliminando Decepticons remanescentes nas várias locações do globo terrestre.


Enquanto o planeta sofre dessa paranóia, Sam se prepara para ir à faculdade e encara um modo paralelo de manter a relação fragilizada com Mikaela. Mais o que nunca duvidamos é que ele realmente é um cara normal. No quarto, seja o de casa ou da faculdade, pôsteres da banda The Smiths e dos filmes Bad Boys II e Cloverfield, sem falar nos pais corujas e bitolados do garoto.



Um outro momento é a discussão da relação do casal, logo após a casa dos Witwicky ser destruída por Bumblebee na tentativa dele de salvar seu protegido que, aliás, já traz roupagem de ‘final round’ com a trilha instrumental e o grito “Bumblebee!”.


Depois, a câmera circunda o casal se despedindo com aquela música emocionante já evidenciando clímax, como se estivesse na conclusão do filme, quando na verdade nem se passara 15 minutos de história.


Falando em clímax, isso é uma coisa que vemos constantemente na aventura. É só começar uma luta entre os robôs e Steve Joblonsky não economiza na trilha sonora instrumental. Seja um embate na floresta entre Prime e Megatron, ou mais ao final acompanhado de seguidas explosões em meio às areias escaldantes em White Sands, que serviu como locação do Egito.

Um outro ponto que corrobora com as más críticas são as pequenas forçações de barra. Ao chegar à faculdade, Sam tem como colega de quarto Leo (Ramon Rodriguez), que escreve para o blog sobre conspirações do governo. O tema recorrente do verdade.com eram alienígenas e a luta que travaram no fim primeiro filme e as recentes atividades em Xangai - uma grande cena de ação no começo.


O maior concorrente de Leo é o site do Robô Guerreiro, e, devido a uma conveniência do roteiro o tal concorrente é ninguém menos que John Turturro, reprisando o papel de Simmons, ex-agente do Setor 7. Agora trabalhando como açougueiro e morando com a mãe. Quando ninguém mais pode ajudar o protagonista, Simmons entra para ajudá-lo.


Mas é ai que há o alivio cômico na dupla Turturro e Rodriguez, ou nas cenas em que Sam vai surtando quando vê os símbolos antigos a cerca da origem dos transfomers, como na aula de Astronomia.


Porque tirar o chapéu para Michael Bay? Ele fez algo até então nunca realizado em um filme, de novo! Conseguiu permissão para filmar nas Pirâmides do Egito e na Esfinge nunca antes com tamanha proximidade, sem falar nas locações do Oriente Médio, suas formações rochosas e antigos templos, que são um belo atrativo na narrativa.

Os momentos finais são de deixar a boca aberta. Foi o que literalmente ocorreu comigo, principalmente quando Sam está a ter a experiência extracorpórea. Cena belíssima de texturas, cores, luzes e sombras.



Apesar dos pesares, Michael Bay é o mestre dos blockbusters, e o roteiro de Alex Kurtzman, Roberto Orci e Ehren Kruger, com a produção Lorenzo di Bonaventura e produção executiva de Steven Spielberg, traz um conto em que só precisamos nos acomodar na poltrona e desligar o cérebro. Tudo o que temos há fazer é curtir todos os mais de quarenta robôs, beijos apaixonados ao pôr-do-sol, silhuetas dos corpos ao horizonte, corridas em slow motions, ação em meio a uma cortina de areia atravessada por luzes, efeitos visuais, artilharia pesada e explosões do início ao fim. “Autobots, vamos rodar!”
Classificação: Mandou ver!
Adeus ao Rei do Pop
O jornal Los Angeles Time afirmou que o rei do pop, Michael Jackson, morreu nesta quinta feira depois de levado para o hospital UCLA Medical Center. A morte dele aconteceu antes da turnê This is It, coma progaramação de 50 shows em Londres.

O que se sabe pela TV CNN é que Randy Jackson, irmão do cantor, disse que ele não estava bem e sofreu “um colapso em casa.” Os familiares foram até o hospital a qual Michael deu entrada com uma parada cardíaca.

Com a nota do LOS ANGELES TIMES, o oficial Steve Ruda alega que o rei do pop não estava respirando quando para médicos chegaram a casa dele. Reanimação cardio-pulmonar fora o procedimento executado.

Joe Jackson, pai do cantor, afirmou: “Ele não está bem. "A mãe dele está indo para o hospital neste momento para vê-lo. Não tenho certeza do que aconteceu. Estou esperando uma resposta deles.”

O porta-voz dos bombeiros de L.A., Davin Gales, não confirmou se era de fato Jackson, mas disse que para médicos de fato atenderam um chamado na casa dele.

Michael ficou mundialmente conhecido na época em que era do grupo Jackson 5. Após esta fase teve inicio a carreira solo com muito sucesso. Seu auge foi o álbum Thriller, a qual ganhou oito grammys. Depois um certo declínio na carreira musical após o álbum Dangerous e escândalos envolvendo pedofilia e que estaria quebrado, sem economias.

Michael encantou fãs do mundo inteiro com canções como "Bad", "Thriller", "Black and White", "Will You be There", "Beat It", "Billie Jean" e tantas outras.

Seu último trabalho foi a edição comemorativa do álbum Thriller que fez 25 anos contando com vários artistas dando cara nova aos seu clássicos.

Michael Jackson era o ídolo de infância da música de Efraim Fernandes e ainda continua sendo!
Star Trek
Os fãs da série de capitão Kirk, senhor Spock e companhia ficarão satisfeitos com o reinício deste que promete ser apenas o começo de muitas aventuras trekker. Senhoras e senhores, Star Trek!

Já de cara tem de ser parabenizado o trabalho da dupla de roteiristas, Alex Kurtzman e Roberto Orci que são os mesmos de Transformers, por se encarregarem de introduzir a nova geração o universo trekker sem perder o mais importante: o foco para os antigos fãs da série original, a qual o filme foi baseado.


O nome dele é Abrams, J.J. Abrams


J.J. Abrams começou fazendo tv. Séries como Felicity, Alias, o furacão Lost e até tem o nome creditado no arrasa-quarteirão Armagedom. Em 2005 dirigiu Missão: Impossível III e em 2008 foi a vez de Cloverfield.


Mas para J.J. poderia haver um fardo muitissimo pesado de 40 anos de culto. Dirigir o cult Jornada nas Estrelas que é no mínimo ousado. O que ele fez foi criar uma realidade alternativa do universo trekker que se auto afirma coesamente na narrativa devido a um personagem retornar no tempo por anos e anos, juntamente com o vilão da história, a qual se passa a história do longa metragem. Resumindo, começou do zero sem desvalorizar a série ou filmes anteriores.


Isso abrirá portas a um mar de novas possibilidades, tomando novos rumos, não estando mais preso aos filmes anteriores e o melhor é que isso atrairá novos e antigos fãs da ficção científica. Se os doze filmes anteriores eram bem fechados, destinados somente ao público alvo específico, Abrams consegue milimetricamente traçar uma história que mantenha a essência de Star Trek, mesmo que tomando novos rumos, e de quebra tenha apelo ao grande público que nunca tenha se interessado ou visto esta obra.



Os personagens

Como nasce uma lenda, aquele que virá se tornar o maior capitão da frota estelar? James T. Kirk (Chris Pine) nasce, literalmente, numa batalha no espaço a qual o pai Tiberius torna-se capitão da nave por meros 12 minutos, salvando a vida de muitos da tripulação.

Desde pequeno o garoto já mostrara sangue quente e um comportamento radical. A cena pós-introdução é uma prova disso. O jovem num Corvette, ao som de Sabotage dos Beast Boys, a toda velocidade perseguido por um oficial da lei. Pouquíssimos instantes antes de cair num precipício, ele pula do carro e quase cai junto da máquina possante. O policial, alienígena, pergunta qual o seu nome. De arrogância maior que a própria estatura responde: “Meu nome é James Tiberius Kirk!” Pine conseguiu passar credibilidade ao personagem, não se prendendo a imitar os trejeitos de William Shatner, o Kirk original. Acredite, ele é James T. Kirk.

Em paralelo, vemos a educação rígida de Spock (Zachary Quinto da série Heroes) e o preconceito sofrido por ser mestiço, já que ele é filho de um vulcano com uma humana (Winona Rider). Pela tradição vulcana, há somente espaço para lógica e a razão, usadas para que não se deixem cair nas profundezas de fortes emoções e podem, apesar da frieza, sucumbir à emotividade mais que humanos. Mas o ser de orelhas pontudas é meio-humano, portanto sempre em conflito. Por horas frio e lógico, mas em outras movido por sentimentos.

É interessante e até engraçado o fato do pequeno Spock ser um nerd e sofrer afrontas de um trio de valentões prontos para surrá-lo, destaque para as falas. Tomado por raiva surra um dos valentões. Quem diria o buillyng sendo um problema até fora da Terra?

Anos mais tarde, um jovem adulto e audacioso Kirk numa briga de bar. Grosseiro, mulherengo, extremamente combativo. Depois de surrado vê a chance de se alistar para as forças da frota graças ao capitão Pike que conhecera o pai dele, e mudar de vida servindo a um propósito maior. Ai a aventura começa.

Por ser o oposto de Spock, isso rende belos diálogos e embates psicológicos. São quase mind games que tem como base a razão e emoção, ou simplesmente têm visões diferentes quanto a que procedimentos tomar em meio ao perigo de ataque. Enquanto que em Spock há um mar de emoções reprimidas, em Kirk uma explosão de impulsividade. Mais opostos, impossível.

O vilão da vez é interpretado por Eric Bana, Nero. Um romulano. Como em muitos dos filmes da franquia, o vilão é frio e sem piedade. A nave que está a cargo é escura e cheia de parafernálias tecnológicas. Seus planos se limitam à vingança, é verdade, especificamente a Spock. Mas o desenrolar da trama, as formas como são reveladas essa obsessão cega são devidamente justificadas.

Mas infelizmente a atuação, apesar de boa, fica esfumaçada quando a história permeia pelas instalações da Enterprise e seus tripulantes. É no mínimo estimulante ver os personagens clássicos saltando um por um com as devidas introduções. Como as de Karl Urban fazendo McCoy, Zoe Saldana sendo Uhura, Anton Yelchin encarnando o adolescente russo Tchecov, John Cho como Sulu, e por último Simon Pegg atuando como Scott. Mesmo em participação curta Pegg roubas as cenas com aquele humor em discussões sobre o problema do tele transporte, com as brigas com o pequeno alien ajudante, ou em momentos em que sua personagem rompe silêncios de forma constrangedora.

As imagens

A câmera de J.J. Abrams é ágil e trêmula, com zooms, principalmente nas cenas de ação. Algumas até vertiginosas. Um dos melhores exemplos é o salto em queda livre de Kirk e Sulu. Quando não isso, são os efeitos visuais, as batalhas entre naves, os pontos luminosos na imensidão do espaço e a trilha sonora em meio aos momentos mais tensos e gloriosos.



Easters Eggs


Também não estão de fora. São pistas, ou surpresas no decorrer da trama. Na série por exemplo, era muito comum nas missões de campo uma equipe e dentre eles, um membro de camisa vermelha. Era justamente esse quem morria. Na missão em que Kirk e Sulu fazem queda livre, havia mais um trajado de vermelho. Adivinha quem morre? Este é um dos vários que claro, não vale a pena narrar e sim ver no filme.


Porque ver o filme?


Diálogos rápidos e precisos, de muito bom humor até. Chris Pine que o diga. A química entre ele e Saldana, ou com Urban é salta das telas. Tão competente é a dele com Quinto, por ser algo mais ácido e inevitável. Impossível não simpatizar com a petulância da personagem de Pine.


Está tudo lá. Os efeitos sonoros da nave, as falas, uma participação especial surpresa e as caracterizações. Em especial Quinto e Karl Urban, precisos como Spock e McCoy, respectivamente, com sua postura física, jeito de olhar, gesticular e expressar. E claro, a trilha sonora marcante que acompanha a abertura do seriado sessentista com direito as clássicas palavras “O espaço, a fronteira final...”.

Atreva-se você também a ir para onde nenhum homem jamais esteve nesta versão atual e saudosista ao clássico de Jornada nas Estrelas. Vida longa e próspera à você e a nova franquia de J.J. Abrams.


Classificação: Explosão Audiovisual.


























Dez Anos do Sucesso de The Matrix
"Infelizmente não se pode dizer o que é Matrix. Você tem quer ver por si mesmo".

Em comemoração aos dez anos de um dos maiores filmes de ficção-científica já feitos, um texto que tem por intenção promover entre os leitores a discussão do filme Matrix. São muitíssimas e riquíssimas as referências do filme. O que os irmãos Wachoswki fizeram – e brilhantemente – foi juntar de forma coesa vários temas numa só história, embora posteriormente haja mais dois capítulos da cine série que não chegam perto do poço de referências filosóficas do primeiro.

Por se tratar de um tema pra lá de extenso, remeter-me-ei as visões mais tradicionais – até porque é um assunto sem fim, eu sou um só e ninguém agüenta ler por horas páginas na frente de um monitor [risos].

Confesso que eu fui um dos que assistiu pelo menos uma três vezes até entender. Uma coisa é inegável: O filme despertou a curiosidade de muitos. Ao ver logo no inicio da história um grupo de policiais armados até os dentes para deter uma mulher no escuro quarto 303, você se indaga o que ela está realmente fazendo.

“As ordens visavam a sua proteção” diz Smith a um policial. O oficial responde “A gente dá conta de uma mocinha”. Smith olha pasmo aos seus colegas agentes e o policial fala novamente “Eu mandei duas unidades. Eles a estão trazendo.” Por fim, o agente engravatado rebate “Não, tenente, seus homens estão mortos!”


Ela pula, corre pela parede e nocauteia os mesmos policias, e desarmada. Mais a frente quando agentes estão a persegui-la no terraço de prédios abrindo fogo e saltando de forma impossível que a curiosidade aumenta mais. O momento que culmina com a maior das dúvidas é quando Trinity vê a cabine telefônica, ouve o toque e corre desesperadamente para atender a droga de um telefonema quando pode ser esmagada por quilos e quilos de um caminhão em alta velocidade. Daí o espectador bota a mão na cabeça e grita “Que porra é essa, cumpade?!” É ai que me vi fisgado no universo criado chamado Matrix.


ALGUMAS REFERÊNCIAS

Antes de tudo, para um maior aprofundamento recomendo o livro Matrix - Bem Vindo ao Deserto do Real. Caso não encontrem, procurem os sites Omelete.com.br e Jovemnerd.com.br (em seu podcast está disponível um papo de uma hora e meia de duração, hilária por sinal) a qual há informações sobre o assunto esmiuçados competentemente.

A primeira comparação praticamente obrigatória e mais clara é o Mito da Caverna de Platão. A alegoria é uma versão sombria de mundo a qual todos os seres humanos nascem, crescem e morrem numa prisão. Mas estas pessoas não têm ciência de que estão detentas. O mesmo acontece quando Morpheus explica a Neo que seres humanos não mais nascem, mas são cultivados em campos, infinitos campos. Para alimentá-los as máquinas liquefazem os mortos para dar de energia via intravenosa aos vivos.


Na alegoria, há os acorrentados, inertes que estão posicionados em frente a uma parede interna da caverna. Tudo que conhecem são sombras projetas na parede graças a uma fogueira ou luz vinda do exterior da caverna atrás deles. Isso fez com que um desses se indagasse sobre o que de fato via. Certo dia, esse mesmo indivíduo liberta-se dos grilhões e vai além da caverna, dando-se conta de um novo mundo.

Por estar do lado de fora, fica temporariamente com os olhos sensíveis já que nunca os usou, pelo menos não daquela forma, como Neo após ser solto com a ajuda de Morpheus e sua equipe, agora na mesa cirúrgica da nave Nabucodonosor (em claro apontamento ao rei babilônico de mesmo nome responsável pela destruição do Templo de Jerusalém). Na nave há a inscrição Mark III nº11, que é referência ao Evangelho de Marcos 3:11, a qual diz “E quando os espíritos impuros o viam, se jogavam gritando: 'Tu és o Filho de Deus'”. Lá que Neo tem seus músculos e todo o corpo reconstituído.

Aos poucos o homem do conto de Platão tem sua visão normalizada e fica deslumbrado com tudo a sua volta. Era um outro plano de existência. Ele decide voltar e contar a todos sobre o que presenciou embora depois sofresse afrontas. Especificamente neste momento fica clara a defasagem entre dois mundos: O Inteligível – alcançado àqueles que portam da verdade e conhecimento, embora que poucos –, e o Mundo Visível – Tomado como o único, exclusivo e verdadeiro por todos que o habitam na caverna. Seguindo esta linha de raciocínio, Neo encontra nessa primeira descoberta do mundo inteligível o exílio, mesmo se tratando de um mundo dantesco e escatológico. O segundo mundo seria o das aparências, fantasias, é a Matrix.

Mal recebido foi este homem que tenta levar a luz às mentes ainda presas na caverna, já que soa uma verdade absurda. Ora, como VOCÊ reagiria se alguém contasse com todas as forças que sua vida, amigos e feitos são uma pura ilusão? O grau de dependência que VOCÊ tem com tudo aquilo em sua volta o faz negar todas as palavras que te foram proferidas. Negação é o mais básico dos atos humanos.

A personagem de Keanu Reeves encontra tal repressão pelos agentes, seres que guardam esta simulação de realidade neuro-interativa (ou “mundo de sonhos gerado por computador”) chamada de Matrix. O próprio Morpheus adverte que todo aquele dentro do sistema é um inimigo em potencial, já que os agentes podem tomar qualquer um, a qualquer hora e em qualquer lugar. São detentores de todas as chaves de todas as portas para qualquer ponto na matriz.

Neo, na condição de homem desperto, é como Buda diante de homens e mulheres normais e ignorantes. Aliás, o significado da palavra 'Buda' é O DESPERTO. Mas isso será dissertado mais ao final, que é quando Neo tem certeza de quem é, apesar de dúvidas anteriores. A questão é que ele encontra grandioso nível de identidade sabendo que a realidade a qual todos estão tão presos é um véu imposto (na história de Buda isso se relaciona com dêmonio da ilusão, Maya) para que não possam enxergar a real condição: Todos são escravos numa prisão que não podem ver, sentir, ouvir ou cheirar. Uma prisão para a mente com intuito de serem transformados em uma peça, uma bateria, uma pilha descartável. É assim que as máquinas se alimentam, de energia corpórea.

INSPIRAÇÕES
Após a exibição de Matrix em 1999, incontáveis filmes e séries trouxeram referências, imitações porcas e até plágio. Isso se deve a cultura disseminada por The Matrix que lucrou 460 milhões de dólares em bilheteria mundial, além de quatro Oscars por Melhor Montagem, Melhor Som, Melhor Edição de Efeitos Sonoros e Melhor Efeitos Visuais!

Aqueles que pensam que os Wachowski criaram tudo, enganam-se. Como fãs de quadrinhos, ficção-científica, filmes de westerns e kung-fu, etc, migraram todos os seus gostos para essa produção. O Corvo e Cidade das Sombras ambas dirigidas por Alex Proyas, por exemplo, foram uma clara influência na vestimenta e visual gótico e látex. Há elementos no longa metragem egressas do roteiro de animação Ghost in The Shell no que se aplica a relação homem/máquina, a dependencia da tecnologia, desenvolvimento da Inteligência Artificial, a fusão entre o cérebro humano e a máquina – como bem visto quando Neo adentra a um programa de computador pela primeira vez a receber treinamento, graças ao plugue que dá diretamente ao córtex cerebral. A famosa chuva de códigos verde no monitor vista no filme vem diretamente desse anime.

Há a obra Simulacro e Simulação, de 1981, do finado Jean Baudrillard, inserida de forma brilhante quando Thomas Anderson está a negociar um programa de computador com um cliente. Ele abre exatamente este livro que serve como um simulacro, pois apenas se passa por um livro já que a função deste objeto era apenas guardar as muambas comercializadas por Anderson.

O autor descreve em sua mais famosa obra algumas caracteristicas que a imagem sofre: Como refletir uma realidade básica; mascarar e perverter uma realidade básica; que não há qualquer relação com qualquer realidade e se torna o seu próprio simulacro. Tais observações estão intimamente ligadas à Matrix.

Vejamos: Em relação ao primeiro item descrito, Smith diz a Morpheus que antes da atual versão de mundo simulada, houve uma em que a perfeição era dominante. Sem sofrimento, mortes, etc. Foi um tremendo fracasso, e safras inteiras (cultivos humanos) foram perdidas já que ninguem aceitou o programa. Isso talvez porque não houvesse uma linguagem de programação para descrever o mundo perfeito. Mas Smith acredita que a Humanidade define a realidade através de miséria e sofrimento. Daí a Matrix foi refeita no auge da civilização que a conhecemos, com suas falhas, imperfeições, já que são mais verossímeis e tangíveis, completamente aceitáveis. Ou seja, uma realidade básica foi refletida, o auge que os humanos atingiram em 1999.

O mesmo discurso de Smith também se adequa a segunda visão de Baudrillard, já que na Matrix tudo é mascarado e pervertido (entendam perversão como algo corrupto), as coisas são distorcidas. Ele mesmo diz que a civilização dos humanos será agora a civilização controlada pelas máquinas, que humanos são pragas, e eles, os que controlam a matriz, são a cura. “Quando começarmos a pensar pelos humanos, será a nossa civilização” diz Smith. Os agentes podem manipular a 'realidade' – vide a cena em que Anderson quer dar um telefonema após ser preso e sua boca se fecha literalmente, o impedindo de falar. Logo, mascaram e pervertem uma realidade básica.

De certa forma, apesar deste mundo de sonhos ser baseado no mundo que outrora existiu, esta versão simulada não mais tem relação com o Mundo Inteligível, antes citado, e tornou-se seu próprio simulacro, um mundo próprio não mais dependente daquele anteriormente conhecido.

Como bem pincelado, são muitissimas as referencias: Cristianismo, Budismo, Niilismo, Filosofia, pensamentos de René Descartes e o demônio maldoso, Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, Sócrates, Platão, tecnologia, 1984 de George Orwell, cibercultura, computação, fala sobre escolha e esperança, traz pinceladas sobre Alice no País das Maravilhas, filmes de artes marciais e de ação de John Woo e Chow Yun-Fat, westerns...

Podemos encontrar similaridades em outros filmes pela relação sonho/realidade, uso de tecnologia e estado de vigilância como Vanilla Sky, Memento, A Rosa Púpura do Cairo, O Show de Truman, Inimigo do Estado, Equilibrium, O Exterminador do Futuro, O Vingador do Futuro, Johny Mnemonic, Eu, Robô, A Hora do Pesadelo, e muitos mais.


Significado dos Nomes e Curiosidades
Uma coisa intrigante são os nomes e seus significados. A começar por Morpheus, introduzido de forma a relacionarmos com o significado do nome. Morpheus era o filho deus da noite e do sono na Grécia Antiga. Essa figura divina pode proporcionar o repouso necessário ao homem cansado para que esse mesmo possa, por meio dos sonhos, libertar o adormecido de seus pesares. Ele podia tomar qualquer forma no sonho. Quando Neo está deitado esquadrinhando no pc sobre Matrix, é ele (Morpheus) que interrompe seu sonho através da tela de computador. A figura de João Batista também remete-se ao personagem de Laurence Fishburne, já que prepara o escolhido para o caminho a se seguir, além de poder ser também interpretado como uma figura paterna.

Trinity
É relacionada ao número 3, que obviamente vem da Santíssima Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo, ou Brahma, Vishnu e Shiva. É nela quem Neo encontra conforto e ela traz a imagem da Grande Mulher-Mãe.


Cypher
É como Judas, o traidor. Mas seu sufixo 'cypher', lembra a palavra Lúcifer, o anjo decaído que armou contra o domínio de Deus. Assim como Judas traiu Jesus com um beijo, Cypher traiu O Escolhido e seguidores também, e o fez pela vida de glamour que pode ter na matriz, mesmo sabendo que lá, tudo é ilusório. Mas a satisfação será real. Ele negocia com Smith entregar o código para adentrar em Zion e depois ele quer a memória apagada, porque saber da terrivel verdade é um tormento e ser ignorante nunca pareceu ser uma grande bênção. Trocando em miúdos, prazer sem culpa. Como ele pode sentir culpa pelo o que fez se ele não se lembra? Cansado de comer da mesma comida horrivel, de passar frio, de correr pra não morrer, ele desiste da causa nobre de ajudar a libertar os humanos para voltar a viver na ilusão, por ela ser mais doce e agradável.


Uma rápida conversa que Cypher tem com Trinity, pouco antes de puxar o cabo que liga os personagens à Matrix, é sobre liberdade. Ela insiste em dizer que fora do mundo de ilusões, todos estão realmente livres e podem desfrutar da verdade. “Liberdade, chama isto de liberdade?” declara irônico para Trinity. Ele diz de maneira clara que não há liberdade na forma como vivem e que a Matrix é muito mais real e gratificante. Não passa de um personagem que viver somente pelo prazer, mas a vida sem sacrificio não traz o real significado de prazer quando experimentado. O doce jamais será tão doce sem o amargo.

Neo
Thomas Anderson era o típico homem, com um número de seguro social, ajudava a senhoria a tirar o lixo, era infeliz no trabalho. Mas ele sabia que havia algo de errado com o mundo e não dormia noite após noite, querendo desvendar o que havia ao seu redor deixando-o louco.

É no primeiro encontro em uma boate com Trinity, embalada no som de Rob Zombie, descobrindo que não é por Morpheus a quem procura, e sim por uma resposta cuja pergunta é: “O que é Matrix?” Essa indagação está lá como um espeto na mente, ao melhor estilo “Decifra-me Ou Te Devoro!”. Sócrates também compartilhava desse mesmo tormento, ou espeto na mente, e a pergunta que o movia era “O que é a boa vida?”

Neo é o que tem significado mais claro de todos, mas com certeza o não menos emblemático. A palavra significa 'novo', novo homem. Pode-se fazer um jogo de anagramas e encontrar o nome Noé, salvador dos seres vivos da fúria de Deus. Peguemos o nome Thomas Anderson e o separemos. Thomas é menção à Tomás de Aquino. Já Anderson, se quebrarmos a palavra, significa 'filho do homem', a mesma condição que o Redentor estava ao vir para Terra. Andros significa 'homem' e 'son' é filho, logo, filho do homem. Era desta forma que Cristo se autonomenclaturou.

Sua ligação com o Messias é um tanto óbvia por causa do que está destinado a fazer, levar a luz a Humidade. Assim como Cristo, Neo morre e ressucita. E ao final do filme ascende aos céus. Numa versão mais pop, pode-se dizer também que foi uma clara menção ao Superman por sair da cabine, olhar ao alto e sobrevoar a cidade.


A condição de Neo é intrigante já que ele é como Buda, o desperto. Uma das coisas que Morpheus diz a ele é “Acorde, Neo”. No budismo há variadas ramificações, mas a que interessa para entender um pouco o filme é a Tibetana, já que há a figura do Bodhisattva. É uma espécie de pré-buda que abdica da iluminação total para ajudar aos outros seres a se libertarem. Esta é a função de Neo, afinal, ele é o Escolhido, é ele quem trará fim a guerra e libertará os humanos.

O que impede o estado búdico, aquele de verdadeira noção de realidade, é Maya (um demônio criador da ilusão). Sendo assim, Maya tem relação direta com a Matrix que por função ilude a mente humana. Desta forma, a pessoa que acreditar profundamente que pode dissolver a ilusão será Buda, O Desperto. É exatamente isso que Neo faz em sua ressureição. Ele acredita que é o Escolhido e assim se torna quem estava prometido a ser, mesmo o Oráculo tê-lo dito que não. Mas há algumas interpretações para tal.

Vejamos:
Quando Neo dialoga pela primeira vez com o Oráculo, ela lhe mostra uma placa na parede da cozinha. “Temet Nosce”, que significa Conhece-te A Ti Mesmo. Ela diz que ser o Escolhido é como estar apaixonado. Ninguém pode dizer pela pessoa, é apenas uma coisa que se sente com todas as forças e certeza. Mas Neo está em dúvida. Sendo assim, podemos concluir que ele sempre foi o escolhido e só precisava acreditar nisso, passar pelas provações como escolher entre a vida dele próprio ou de Morpheus, como o Oráculo bem profetizou. Ele precisava ouvir que não era para assim se tornar.

A outra forma de interpretação é que somente ao morrer e ressucitar, graças ao beijo da vida ou sopro da vida vindo de Trinity, que ele se tornou de fato o Único. Ela mesma disse que ele não poderia estar morto já que fora profetizado que Trinity se apaixonaria pelo eleito e por isso ele não poderia estar morto. “Cedo ou tarde, Neo, você perceberá que há a diferença entre conhecer o caminho e trilhar o caminho” parafraseia Morpheus ao herói acreditando que ele é o salvador.


Ele começa a crer que pode ser o eleito quando finalmente encara Smith na estação de trem, ao estilo western spaghetti de Sergio Leoni. Fica implícita nesta cena as palavras de Morpheus durante a luta que tiveram no treinamento “Não pense que é, seja!”. Isso fica mais refletido ainda quando volta dos mortos e pára as balas ao ar, exergando os códidos verdes a volta. Esta cena pode ser comparada à de Buda (Sidartha Gautama) contra os exércitos de Mara, o senhor das ilusões. Os dardos e flechas atirados por esse exército contra o Buda viraram flores e a ilusão não mais tinha apelo. Para Neo, as balas param ao ar e ele vê tudo como realmenete é: Códigos. Ele não mais achou que poderia ser ou não. Ele só se tornou!

Agente Smith
O visual dos agentes infiltrados é de mesmo look da época do agentes à paisana do governo Nixon. Terno, gravata, óculos escuros e fone ao ouvido. O que é Smith? Segundo o Oráculo, em Revolutions, é o oposto. Enqaunto que Neo é a luz, Smith, em contrapartida, é a sombra, Trevas e sombra. Uma teoria discutida interessantemente é a destruição do agente no terceiro episódio.


“É inevitável” entoa a todo o momento ao herói. Ao final, já sem forças em persistir a lutar contra a tirania imensurável de Smith, Neo concorda e se deixa infectar. Afinal, Anderson estava conectado a máquina mãe, a Matrix, então se deixa 'derrotar'.

Pensemos, meus caros, em uma sala escura e desocupada. Somente em acender uma luz forte ao centro e não haverá espaço para escuridão. De acordo com esta premissa, a derrocada de Smith, que mantinha por filosofia que não havia sentido na vida e que tudo tinha de ter um fim, era nevitável porque não há sombra quando se tem luz. Além do mais, Smith se tornou um programa que fugiu ao controle. Era autônomo e a Matrix não tinha como controlá-lo. No momento em que Neo estava conectado à Matrix e deixou que Smith tomasse seu corpo, a matriz teria controle do agente (que estava inserido em Neo) e logo poderia ser destruído. (Aplausos deste que vos escreve pelo brilhantismo às analogias).

Matrix
Quer dizer 'mãe' e vem da palavra indo-euroéia 'Matr'. É a fêmea com crias. Dentro da Matrix há seres humanos armazeandos como forma de obtenção de energia em casulos rosados que lembram o útero. Útero este que alimenta os vivos via intravenosa e lá são cultivados. Um aspecto contraditório é que a função de um ser maternal é proteger e preparar a sua cria, quando que na trama fica claro o caráter déspota e cruel, oposto ao que se espera de uma matriarca. A função da Matrix se converge aos estudos de Marx sobre o capitalismo. Um bom filme que evidencia isso, de forma sutil e menos apocaliptica quanto a franquia de Neo, é Tempos Moderos de Chaplin.

A relação de exploração, de ver o proletariado como uma simples peça da engrenagem complexa à um sistema maior. Chaplin se torna líder grevista de um sindicato e conhece uma jovem por quem acaba se apaixonando (Neo e Trinity). Ao decorrer da história fica em voga que as idéias subversivas dos operários, que querem derrubar esta ditadura, serão vetadas e de certa forma é do capitalismo que vem todo o conforto e diversão que uma pessoa pode ter. Sem isso serão miseráveis, viveram à margem de tudo. O mesmo ocorre em Matrix. Lá existe todo o conforto e caracateristicas de uma vida, bem diferentes as do mundo real experimentas por Neo, Trinity, Morpheus e sua tripulação.

A ótima história, a cultura em torno dos personagens, as roupas, as lutas e trilha sonora marcante, que vai do metal ao eletrônico, culminou em fãs no mundo inteiro e Matrix entrou pro hall dos melhores filmes do gênero em todo o mundo. Para terminar eu lhe faço a seguinte pergunta: Pare um minuto e pense. Se tivesse um espeto na mente que o incomodasse, até até onde estaria disposto a ir para saber a verdade? Tomaria a pílula azul ou vermelha. Para muitos a resposta já é clara por já se saber o que acontecerá devido a escolha de Thomas Anderson, não importando qual você tome.