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Divã

José Padilha Jr. é um roteirista e diretor que ao longo da carreira fez bons trabalhos que marcaram a infância de toda uma geração por comédias como Os Trapalhões e a Árvore da Juventude, O Mistério de Robin Hood e O Casamento dos Trapalhões, por exemplo. Também agradou a um público mais adulto por minisséries como A Justiceira, Sai de Baixo, Os Aspones, Os Normais... Enfim, um homem calejado no que diz respeito a fazer rir e emocionar pessoas, e Divã está nessa linha: fazer rir, chorar e refletir.

Conheçam Mercedes (a atriz Lilia Cabral). Mulher que se dedicou ao matrimonio, tem dois filhos e a grande amiga Mônica (a hilária Alexandra Richter). Tudo as mil maravilhas, certo? Errado! O filme inteiro se passa dentro de um consultório a qual Mercedes revela, por vezes insegura, todos os seus segredos, aspirações, alegrias e tristezas para um analista. Ela mesma diz, com uma certa dose de arrependimento, que ela e Gustavo (José Meyer) casaram-se no momento em que se conheceram.
A união com ele está ruínas, mas não se dá conta disso pois acredita na instituição que o casamento representa e se ocupa também com a pintura, atividade que ama fazer, embora não saiba se é a verdadeira vocação após anos lecionando matemática. Mas é quando o marido negligente lhe elogia um trabalho que ela desconfia. Não por nunca receber elogios, mas sim pela tela de pintura estar em branco no momento que ele está evasivo ao respondê-la sobre um telefonema, cujo número era desconhecido.

A história é uma verdadeira montanha russa emocional. Depois do fim do casamento ela redescrobre a vida, e com orgulho diz que nunca chorou por ninguém após a morte da mãe quando era apenas uma pequena criança, mas que não o fez na frente do pai Agenor (Elias Gleiser) para não abalar a força dele.

Quando ainda estava com Gustavo, chega a vida da quarentona o arrasa-quarteirão Theo (Reynaldo Gianecchini) que a faz suspirar, assim como toda a platéia feminina nos cinemas. Arqueólogo, aventureiro, mora na Europa e de boa lábia, ou papo furado, que encanta de vez a protagonista. Ela achava que a traição de Gustavo não necessariamente traria o fim do casamento. Seguindo essa risca, envolve-se com Theo. É com ele que é tocada como a há muito não era. A insegurança dela de que é algo errado, proibido, porém extremamente satisfatório, é quando está num motel bebendo champagne na garrafa. E foi uma experiência libertadora.

Nesse vai-e-vem emocional que Monica lhe rende conselhos, além de risadas todo o momento. As duas por vezes têm opiniões fortes sobre a vida, mas se complementam e se entendem.
Em outra fase da vida, ela 'pega' o garotão Murilo (Cauã Rymond). Baladeiro de plantão. Aqui, uma Merces mais ousada quanto divertida, que fica em casa chorando pelos erros e desencontros da vida, ao lado da melhor amiga. Destaque para as cenas de Lilia e Cauã na boate gay ao som de muita música eletrônica, num show de luzes, cores e piadas.
Assim é Divã, que fala de cumplicidade, amor, sexo, amizade, felicidade, tristeza, carência, desapego, morte e o (re)descobrir a vida. Uma boa história que fará não só mulheres, mas homens se identificarem com a personagem de Lilia Cabral, mesmo que voltado à ótica feminina. E você, como está vivendo a sua existência?
Vestida Para Casar
Por Deus, mas é incrível a esperta falta de originalidade de Hollywood em romances água com açúcar, porque é certo encontrar um público específico. Anne Fletcher dirige Vestida Para Casar e é como novela, na qual não precisa se ver pois já se sabe o final. Até o título em inglês, 27 Dresses, entrega o desfecho. Duvida?

É a típica comédia romântica em que a menina conhece o rapaz. Ele se apaixona por ela, mas ela não se dá conta disso até ouvir conselhos e de intervenções do destino - que não passa de uma bebedeira no bar com a cara metade. Ah, claro, não nos esqueçamos das brigas entre os dois para dar o tempero na medida certa. Mas vamos ao filme?





Jane (Katherine Heigl da série Gray's Anatomy) é a filhinha do papai assim como a sua irmã caçula Tess (Malin Akerman). A primogênita se apaixonou por casamentos desde os oito anos de idade. Já crescida ajuda a organizar casórios e suas festanças. A verdadeira faz-tudo-para todos, a burra de carga. Mas há um vazio na vida da sonhadora Jane já que deseja participar de uma cerimônia em que não esteja ajudando, e sim casando. Prova disso é a gula ao se acotovelar pela posse do buquê. Desacordada é socorrida pelo arrogante e cínico Kevin (James Marsden, o Ciclops da trilogia X-Men). Opa, beleza. Preparem daqui pra frente para um verdadeiro festival de clichês.




Os dois se conhecem e de cara se alfinetam (aquela velha história da linha tênue entre o amor e o ódio). Ele divide um táxi na saída do casamento para se certificar que a donzela em 'perigo' chegará bem em casa. Depois da despedida o cavalheiro Kevin, ainda ao táxi, encontra o Santo Graal da moça: a lista de todos os casamentos a serem realizados que ela mesma ajuda a produzir.

A trama se complica, ou fica mais previsível ainda, quando Kevin que é jornalista da coluna de casamentos do New York Journal vê a oportunidade de desenvolver uma bela pauta graúda de acordo com a agenda de Jane: Ela como a dama de honra de vinte e sete casamentos e nunca fora a própria noiva uma vez sequer. A sua editora chefe quer histórias com conteúdo bem humano e eis que surge a oportunidade de promoção do garotão. Não precisa dizer que isso trará problemas aos dois mais a frente.


Mas vamos seguir com a trilha gritante de trivialidades. A protagonista tem uma profunda paixão platônica pelo chefe bonitão George (Edward Burns). Ele, claro, é enfadonho, certinho, saudável e não come carne, além de vê-la só como o braço direito e nada mais. Mas não pára ai, ele se interessa pela irmã caçula, Tess. “Ah, o circo está armado para loucas confusões”, como diria nas chamadas de uma famosa rede de televisão global. Em meio a esse triângulo amoroso, a amiga fofoqueira e tarada, doida por um sexo casual como conselheira.


Junte isso tudo com depreciação alheia, momentos que se encaixam perfeitamente com a canção 'Everybody Hurts', e mais algumas lições de moral e injeção de ânimo e o filme tá feito. Não querendo soar machista, mas mesmo sendo um filme divertido (e é mesmo), é bem voltado para o público feminino ou pra quem sabe que está passando por um momento fossa, quando alguém se importa com outro, e este outro não está nem ai para essa primeira pessoa.


Mas o pior é aquele finalzinho sem vergonha em que na vida real (se algo desse tipo acontecesse) se resolveria com uma conversa com a pessoa amada à sós, em particular, e não no microfone em meio a um casamento abarrotado de convidados. Tenha santa paciência dona Anne Fletcher. Perdão a impaciência e spoiler, mas quem se importa?
Pagando Bem, Que Mal Tem?
Ao ir para a Cinelândia para o Cine Oden, tive uma bela surpresa. Ver o último trabalho de Kevin Smith, o santo padroeiro dos nerds, atacando novamente no roteiro, edição e direção em Zack and Miri Make A Porno, que no Brasil tem o título muitíssimo adequado Pagando Bem Que, Mal Tem?

Zack (Seth Rogen de Super Bad) e Miri (Elizabeth Banks, a secretária gostosona de J.Jonah Jameson, Betty Brant de Spider Man) são amigos desde os tempos de escola e moram juntos. Mas têm um estilo merda de vida, sempre quebrados e agora com a chance de reencontrar alunos no baile de dez anos dos formandos do Ensino Médio. É lá que reencontram Bobby Long (Brandon Routh de Superman Returns) o antigo esportista bonitão do colégio. Enquanto que Miri flerta descaradamente com ele -“You wanna fuck me?”-, Zack conhece Brandon (Justin Long) e descobre que ele é um ator pornô gay e fatura uma alta grana com produções próprias.

Como se não bastasse, o bonitão Bobby não só também é um ator de filmes gay, mas também é namorado de Brandon. Depois do encontro em um bar para afogar em cervejas a memória de estarem com as contas não pagas, energia elétrica e água cortadas, Zack lembrava o quão rápido foi visto o vídeo de Miri trocando de roupas com sua enorme calcinha de vovó. Então, resolvem fazer filmes adultos.

Kevin Smith não perdeu o toque irreverente de sempre. Exageros no roteiro, muitos ‘Fucks’, piadas irônicas sobre racismo, brincadeiras com o típico clichê de filmes em que um entregador de leite visita uma dona de casa excitada, peitos e sexo que garantem boas risadas da platéia. Um dos momentos mais legais é quando escalam o elenco e bolam os nomes dos filmes e personagens. A exigência de Miri é que remetam exatamente ao que as pessoas assistirão e Zack quer que sejam baseadas em filmes de conhecimento popular – Star Whores é um deles.

Quando achavam que seria uma moleza, problemas logísticos e emocionais. O local originalmente escolhido para toda a ação é demolido e os personagens de Rogen e Banks resolvem fazer sexo diante das câmeras desde que isso não atrapalhe a interação entre ambos. Daí a reavaliação sobre se somente amigos.

Traci Lords, Jason Mewes estão no elenco e trazem a sua colaboração. Traci por ser gostosa - e uma ex atriz pornô que começou a carreira com 15 anos - e Mewes figurinha carimbada nas produções de Smith. Ele só faz aparecer nu de um canto a outro e seu personagem tem o talento para uma ereção rápida e sem estimulação local. Kenny Hotz, Gerry Bednob, Tom Savini – o Sex Machine de Um Drink No Inferno -, também estão lá.

O filme é diversão pura, com muito sexo, é claro. Por isso conselho para você: Evite momentos constrangedores como ver os testículos de R2 – DÁ 2, ou a cena em que uma das atrizes com prisão de ventre numa cena de sexo anal que literalmente borra o câmera man depois de um susto, com a sua mamãezinha e visitas do seu lado em sua casa. Ah sim, fiquem atentos aos créditos finais. E se me permitem uma só observação, a Elizabeth Banks está uma gracinha e a cena de sua personagem com Rogen é muito boa!
Zohan - O Agente Bom de Corte
A dupla Sandler e Dungan, o diretor, ataca de novo neste novo filme de comédia. Zohan é uma verdadeira máquina de guerra (muito atípica) do exército Israelense, e também garoto propaganda do país. Ele é capaz de desmontar armas com as mãos nuas, parar projéteis com os dedos e (pasme!), usa até mesmo as narinas para se proteger dos tiros, além é claro de desviar de mísseis e outras coisas mais, e evidentemente muito fã da diva Mariah Carey, que está com um par de seios e pernas mais lindos do que nunca.

Em uma de suas missões deve capturar o personagem de John Turturro, Phantom, o maior guerreiro da Palestina. Em seu último confronto, Sandler forja a própria morte para ir à América para realizar o sonho de tempos, a de ser cabeleireiro! A única coisa que quer é “deixar as pessoas mais bonitas”.

Chegando à terra do tio Sam, muda o visual e adota o pseudônimo de Scrappy Coco. E assim caminha o ex-combatente pelas ruas de Nova Iorque com sua camisa aberta, calças jeans e sandálias à procura de trabalho em ritmo disco music. Consegue a chance de trabalhar em um salão de beleza da dona e interesse romântico Dalia (Emmanuelle Chriqui), contudo um pequeno grande porém... Ela é palestina e o lugar é cobiçado, bem como toda a comunidade, por um homem de negócios chamado Walbridge (Michael Buffer). Ainda assim, Zohan começa do zero e não importa mais a sua nacionalidade ou a dela e questões de disputas religioso-territoriais. Concentra-se apenas em duas coisas: Cortar os cabelos de um modo nada ortodoxo, de maneira explicitamente erótica, e depois, dá um trato caprichado na clientela no quartinho dos fundos. Yeah baby, that’s right, sacanagem!

O humor deste filme é como quase todos os anteriores. Direto, sarcástico, pastelão, ou seja, os bem típicos do ator. Um quesito corriqueiro são as participações de coadjuvantes da comédia. Quem conhece a história do conjunto da obra de Adam Sandler sabe facilmente reconhecer os atores que fazem participação. Rob Schneider como o taxista Salim que reconhece Zohan e quer porque quer fama por descobrir que a suposta morte do herói e garoto propaganda israelense é falsa; Cris Rock que dá a primeira carona ao protagonista após sair do aeroporto; Kevin Nealon que o ajuda na patrulha do bairro; Dave Mathews, como um desses vilões de segunda que não passa de marionete... E por ai vai.

Como em Eu Os Declaro Marido... E Larry, existe a mensagem sobre deixar as diferenças e preconceitos de lado, para coexistir, mas deixando claro que a América é o lugar certo para recomeçar, apesar de previamente um discurso crítico um pouco ácido quanto à Bush filho e a guerra entre palestinos e israelenses, esta que dura mais de dois mil anos, menções sobre a Al Jazeera e Hezbollah também estão lá. O filme é bobo, mas entretém.
Eu Os Declaro Marido... E Larry
Eu Os Declaro Marido... E Larry (I Now Pronounce You Chuck And Larry) é uma comédia machista, chauvinista, preconceituosa, com excessivos momentos de mau gosto, regada a estereótipos e totalmente politicamente incorreta e... é muito hilária!!! O filme dirigido por Dennis Dugan é estrelado por Adam Sandler (Click) e Kevin James (Hitch) e conta a estória de dois bombeiros, Chuck e Larry.

Chuck é um verdadeiro garanhão no sentido amplo da palavra... Transou com nada menos do que 16 mulheres em um curto período de tempo, é machista, preconceituoso e arrogante, contudo é engraçadíssimo... Afinal, estamos falando do ‘Sandman’ um dos atores de maior destaque há mais de uma década, que inclusive ganhou o prêmio da MTV Movie Awards pelo seu conjunto da obra.

Do outro lado, Larry. Pai de um casal de filhos (muito esquisitos, com destaque para o filho) que perdeu a esposa há três anos e que ainda é completamente apaixonado por ela, não conseguindo desfazer-se dos antigos pertences.

Quando o personagem de Sandler é salvo pelo personagem James no trabalho, fica em uma grande dívida com o amigo que lhe faz a seguinte proposta: Passar-se por um casal homossexual para assim Chuck quitar as suas dívidas e para que os filhos tenham pensão. Pensaram que não haveria nada demais em fazer isso mesmo tendo consciência de que é crime, uma fraude, e os problemas começam quando passam a ser investigados por um fiscal, interpretado pelo igualmente hilariante Steve Buscemi, para descobrir se há legitimidade da ‘união estável’.

Para engrossar mais o caldo, uma gostosona carente, divertida, inteligente, meiga e cativante, que aconselha legalmente o ‘casal de pombinhos’, a advogata (perdão ao trocadilho) Alex, vivida por Jessica Biel, com destaque para a cena em que aparece seu bumbum perfeito de calcinha e um provocante sutiã... Coisa bela!

De antemão sabemos o que acontecerá. O garanhão vai se apaixonar pela lindona. E o que mais acontece? Opa, não é que ela começa a se envolver com ele também e sentir peso na consciência e enxergar nele o que sempre faltou em sua existência, um homem que pode suprir as necessidades que sente... E olha só, ele vê nesta garota a chance real de ser feliz e pendurar as chuteiras de fodão. É neste momento que o espectador poderia simplesmente levantar de seu confortável assento e ir embora por saber exatamente como acaba o filme... Mas para compensar continuam a todo tempo piadas sobre sexualidade e obesidade, além das atuações que realmente não deixam a desejar... E claro... Ver mais dos olhos e bunda de Jessica Biel.

Mesmo sendo uma comédia (de humor duvidoso) que traz uma química ótima, com um bom timing de piadas entre os protagonistas, há uma pequena mensagem sobre deixar de lado o preconceito e aceitar as diferenças. O problema é que a ênfase maior está voltada para a comédia, sarcasmo e mulheres lindas do filme, mas se quiser uma boa dica de DVD para ver com os amigos, Eu Os Declaro Marido... E Larry é realmente uma boa opção pra você. A menos que se sinta altamente insultado com as constantes baixarias, mesmo que leves, e de mulheres seminuas e insinuações sobre sexo.
Agente 86
Se existe alguém que personifica exatamente da pior maneira, contudo hilária, James Bond, esse era Don Adams na sessentista série cômica Agente 86 (Get Smart), criada pelo mestre do riso Mel Brooks, que atualmente teve uma versão cinematográfica de mesmo nome que com certeza arrancará gargalhadas pelas atuações.

Steve Carrell (O Virgem de 40 Anos e a série The Office) encarna impecavelmente Maxwell Smart, o atrapalhado agente que trabalha para a organização contra o crime mundial chamada CONTROLE. O sonho do trapalhão ‘altamente treinado’ é torna-se um agente de campo e o consegue quando os melhores são mortos misteriosamente, sendo então promovido por falta de opção (!). A trama é bem simples... Impedir que a organização KAOS execute um ataque terrorista ao presidente dos Estados Unidos.

Para tamanha missão tem como parceira a atriz Anne Hathaway, que está lindíssima como agente 99, e um certo suporte do agente 23 encarnado pelo carismático brutamontes Dwayne Jonhson, que parece decidido a dar um tempo dos filmes de ação um tanto non-sense e desiste de assinar como “The Rock”.

A dupla é a todo o tempo uma inconstante, ela é eficaz e ele um desastre, mas a química entre os dois na ação é ótima e mesmo assim se completam. São ordenados pelo Chefe (o ator Alan Arkin), o mal humorado e careca chefão da organização CONTROLE. Ele chega até mesmo a se digladiar e cair no tapa com o vice-presidente da América em uma reunião ultra-secreta, este último considerado pelo presidente dessa mesma nação (James Caan) como um verdadeiro imbecil!

Do lado dos vilões da KAOS temos o icônico, e eterno General Zod, Terrence Stamp que interpreta Siegfried. É verdade, ele faz o típico vilão que quer por que quer executar um maligno plano com seus cabelos brancos e olhos esbugalhados, mas nem por isso deixa de ser atraente este veterano dos cinemas atuando.

O segredo de Agente 86 de Peter Segal está na comédia física de Carrell, com destaque para a cena de dança entre o astro principal e uma gordinha engraçadíssima num salão abarrotado de convidados ao estar disfarçado para coletar informações. Outro ponto forte são as cenas de ação elaboradas. Em meio à performance do comediante, vemos lutas, tiroteios, explosões, perseguições de carro em alta velocidade... Tudo de um jeito sofisticado e ainda assim (falsamente) tosco, e isso traz toda a graça ao filme. E durante a execução de um plano e outro capengamente cumprido, sobra espaço para um iminente romance entre Maxwell e 99.

Don Adams realmente marcou como o personagem, mas a tendência de Hollywood é reviver os clássicos e Steve Carrell faz muito bem a construção do personagem, e nem mesmo é preciso ter acompanhado a série para entender o filme, embora não faltem elementos da extinta série que deixará os fãs satisfeitos (vide o sapato que serve de telefone, bugigangas, as portas que se fecham automaticamente...). Mesmo comprando um saco de pipocas e refrigerante, o que irá ser saboreado mesmo é a comédia. Bom filme para você!
O Melhor Amigo da Noiva
Atire a primeira pedra quem nunca sentiu algo a mais pelo amigo(a)! Patrick Dempsey (da série Gray’s Anatomy e do filme Namorada de Aluguel na qual interpretou o eterno Ronald Miller) é Tom, um mulherengo morando em Nova Iorque que em tempos de faculdade, mais precisamente em 1998, conhece Hannah (Michelle Monaghan de Missão Impossível III) e tenta seduzir a garota. Tenta e não consegue. Dez anos depois os dois tornam-se melhores amigos.

A linda jovem parte para a Escócia para resolver assuntos pendentes e Tom ao perceber a ausência de Hannah se dá conta que ela é parte fundamental em sua vida ao conversar com amigos e só se sentirá completo ao assumir o que realmente sente por ela. O problema é que ele é um tanto machista cheio de regras com quem consegue dormir junto e nunca diz o que realmente sente, ao contrário de Hannah que diz “eu te amo” com freqüência as pessoas.

Quando decidido a abrir o jogo, tem uma infeliz surpresa. Ele conhece Colin Murray (Kevin McKidd da série Journey Man), homem perfeito em tudo! Um duque escocês, muito rico, cavalheiro, gentil, inteligente, preso aos seus costumes de realeza e versão do século XXI de príncipe encantado... Enfim, o tipo de homem que muitas mulheres pedem a Deus. A situação torna-se mais insustentável ao garanhão quando Hannah o pede pra ser ‘madrinha’ do casamento e o aceita. Mas as suas verdadeiras intenções não são obviamente de ajudar o casamento ir de vento em popa.

Tudo bem... É mais uma comédia romântica de final previsível, decepcionante até... Contudo vale pela incrível beleza natural das montanhas escocesas, os arranjos musicais típicos deste país e o carisma dos atores. Mas qual é o diferencial de Paul Weiland, o diretor? Simples. Alguns filmes deste gênero são mostrados a partir do ponto de vista feminino, mas não neste já que é um homem fazendo de tudo para ter a atenção de uma mulher, metendo-se nas situações mais estapafúrdias possíveis para concretizar seus desejos.

Vale lembrar que este foi o último trabalho de Sydney Pollack que faleceu em março de 2008 por câncer aos 73 anos de idade e a participação do ator foi fator de destaque. Ele faz o pai de Dempsey na fita, encenando o típico e estereotipado homem rico que vivenciou vários relacionamentos amorosos e chega até mesmo negociar com a sexta esposa (uma gostosa loira burra e gananciosa) o número de vezes em que fará sexo, desde que ele faça mais exercícios e perca peso.


E mesmo tendo afundado em vários envolvimentos aconselha ao filho a não deixar essa oportunidade de estar junto com a mulher que ama para trás, já que assim o aconteceu quando se separou do seu verdadeiro amor, a mãe de Tom. Se quiser uma opção de final de semana, veja O Melhor Amigo da Noiva (Made Of Honor) e quem sabe aquela pessoa que você tem como uma bela forma de amizade não se transforme em algo mais?
Juno
‘Alternativo’ é a palavra que bem descreve o roteiro de Diablo Cody, uma ex stripper e ex-atendente de tele sexo, em sua obra intitulada Juno; e coube a Jason Reitman captar a essência da escritora para pô-la nas telas. A estória conta com recursos de animação durante a introdução, um pouco de soft music com violão e vocais suaves, além de desfrutar ângulos de câmera que vão desde a tela cheia abrindo aos poucos sem cortes, mostrando um plano mais panorâmico.

Ledo engano a quem pensar que a película é um mais um draminha sobre a típica gravidez na adolescência e tão pouco se este é mais um filme teen. Tudo começa numa manhã de Outono quando Junebug McGuff, interpretada competentemente por Ellen Page (a Kitty de X-Men 3), está a relembrar do seu melhor amigo Paulie Bleeker (Michael Cera) em seu jardim. Lá do lado de fora, ela olha para cadeira na qual tenta se desfazer justamente por ter mantido nesta a sua relação de uma noite com o garoto atrapalhado e de poucas palavras.
Depois de três testes de gravidez encara a verdade e precisa escolher entre abortar ou ter a criança. Quando decidido que daria à luz, convence-se de que não pode criar um bebê e que doação seria a melhor solução, mas antes... Contar aos pais sobre a gravidez. Em seguida, é hora de procurar o casal ideal a quem possa confiar e garantir o futuro da criança. Entra em cena Jason Bateman (da série Arrested Development) e Jennifer Garner (Elektra e série Alias).

Mark Loring (Bateman) é compositor que trabalha em comerciais e ama música. Por causa de interesses em comum ou diferente, estabelece uma relação de convivência com Juno. Seus desacordos vão desde o melhor período do Rock ‘n’ Roll, que na visão dele é na década de 90, mas que para ela é em 1977 com o movimento Punk; à Dario Argento, mestre do terror na razão dela e que para ele são os Slash Movies, a grande graça de filmes de sangue...

Já Vanessa Loring (Garner) é uma mulher emotiva com instinto maternal nato. O desejo ardente em ser mãe aumentou depois de cinco anos ao tentar engravidar com o marido sem nenhum sucesso. Em contraposição ao lado mais sensível há uma característica um tanto tediosa, já que é obcecada, minuciosa em cada detalhe e pragmática com a vida. Com absolutamente tudo programado, sua personalidade se reflete desde o jeito que se veste até a forma de arrumar a casa e relacionar-se com o marido, que o vê como desleixado forçando-o a omitir das coisas do interesse dele. Mesmo assim, não deixa de ser atraente como uma jovem garota de 16 anos tem o potencial de conceder a chance de felicidade e concretização de um sonho almejado com muito custo.

A relação entre o casal e a jovem é bem estruturada, e logicamente Juno é o centro dessa roda gigante de interações bem emotivas. Destaque evidente é a solidez e as curiosidades, para não citar esquisitices, de alguns personagens como Mac McGuff, vivido por J. K. Simmons (J. Jonah Jameson da Trilogia Homem Aranha) o paizão careta divorciado há dez anos, que ama sua família incondicionalmente; Sierra Pitkin que encarna Liberty Bell, a irmã caçula ao estilo Pequena Miss Sunshine, amante de patinação no gelo; Allison Janney que interpreta Bren McGuff, a madrasta que a trata como filha tendo uma verdadeira obsessão por cachorros e não os tem por um simples motivo (pasme): sua enteada é alérgica a saliva de cachorro! E vemos Bleeker, viciado por Tic-Tacs de laranja e atleta de Jogging apaixonado pela personagem central, com sua bandana, short amarelo, munhequeira e meias na altura das canelas que dão um ar levemente ridículo, mas de bom humor.

A cada vez que um suspiro de alívio e/ou um assunto tem sua conclusão, vemos a tela escurecer no efeito de fade e uma indicação de qual estação de ano estão. Esta é a forma de passagem temporal sutil que serve como contagem regressiva até a hora do parto, e todo o desenrolar destas curiosas personas está ai e têm o seu encerramento no Verão.

Foi por merecer o Oscar de Roteiro Original, e o filme é atraente a todos, seja para um homem de 65 anos ou um garoto de 15, uma mulher que não queira ter filhos ou que tem o sonho de engravidar, afinal é um filme sobre a vida. Tão cativante foi a experiência de ver Juno que havia até mesmo três mulheres grávidas esperando pela próxima sessão do mesmo.