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Nove Semanas e Meia de Amor
É fato, este filme é um dos mais sensuais da década de 1980. É daqueles que foram tão comentados que atiçavam a curiosidade e o despertar da sexualidade em garotos da época por tratar de um assunto: A intimidade entre um homem e uma mulher.

A direção ficou a cargo de Adrian Lyne. Para quem não o conhece, ele foi responsável também pelo clássico Flashdance e outros como Proposta Indecente (1993), Lolita (1997), Infidelidade (2002), e mais alguns.

Na história há Elizabeth (Kim Basinger) que trabalha numa galeria de arte de Nova Iorque e em poucas semanas deve apresentar numa grande festa as obras de um pintor chamado Farnsworth. Mas a jovem perde o foco quando conhece e se aprofunda numa relação apaixonada e picante com John (Mickey Rourke).

É com aquele jeito de menina, mas mulher, ingênua, mas apetente que encanta John fazendo-a participar dos seus desejos mais sensuais e indecentes. Ele é um misterioso sedutor, com um charme barato que funciona. Por oras é pervertido e manipulador, mascarado a fala calma e olhar tranqüilo. Parece um garoto com um sorriso bobo e papo mole. Mas ai vem ele de novo contrabalançando com joguinhos que revelam o lado levemente depravado e dominador. Como se não bastasse, é extremamente confiante quando Elizabeth intrigada pergunta como ele sabia que ela se entregaria de corpo da forma como fez. Ele só responde “Eu me vi em você”. Ainda assim, não tem como não gostar dele por ser divertido e estar dando um belo de um trato em Bassinger, diga-se de passagem.

Elizabeth fica completamente submissa aos caprichos dele. São vários os momentos como a cena da venda, introduzida belamente com a loiraça num contraluz de abajur e seus fios dourados dos cabelos e silhueta do corpo na camisa branca. Ela deita e em mais uma belíssima fotografia a vemos se deliciando com as gotas do cubo de gelo escorrendo pelos seios, abdome e nos carnudos lábios. Para ver a cena clique no link. http://br.youtube.com/watch?v=LI8_5OmZiWs

Há outros destaques como o interior do prédio do relógio quando transam ao som de Brian Ferry, ou o strip tease ao som de You Can Leave Your Hat On, na qual mais uma vez Lyne brinca com a luz e sombra através de persianas. Além dessas a cena da comida da cozinha, na qual fazem mais uma de suas brincadeiras extremamente eróticas, se melando. São as cores, texturas, densidades e formatos de alimentos como morangos, ovos que fazem Basinger só caras, bocas que terminam com uma bela lambuzada com mel nas pernas.

O outro destaque em questão é a do beco à noite, após uma briga do casal contra arruaceiros. É no chão empoçado, encostados na parede ou nos degraus sob chuva e um cano furado completamente encharcados que transam num ritmo de voracidade tal que lembram animais no cio. Não entendam a cena no sentido pejorativo, mas sim como algo extremamente ousado e selvagem.

Só que a sensualidade de Elizabeth estoura na tela não só no sexo. Às vezes até mesmo em momentos nada explícitos. Só de ver os olhos azuis retocados com rímel, os lábios rosados ou avermelhados pelo batom, os fios loiros colados ao suor da testa após tanto suspirar de prazer... É atrativo puro.

Esta é minha dica de DVD para um final de semana chuvoso a você que nasceu na década de 80 e tanto ouviu falar deste filme quando criança. Pode ser improvável assistir e não relembrar a descoberta da sexualidade com aquele tom ainda remanescente de inocência. A época que quando experimentado do prazer pela primeira vez abre-se um leque de possibilidades infinitas para serem vivenciadas.

Deixe-se seduzir com a sensação que os personagens trazem. Como a onda em Hollywood é fazer remakes, aproveitem para assistir a versão oitentista enquanto não inventam moda de refazê-lo e estragá-lo.
Sete Vidas
Sete Vidas (Seven Pounds) concretiza o mais novo trabalho entre Will Smith e o diretor Gabriele Muccino, e prova que versátil é a palavra certa ao ator por compor este drama. Quando se vai ao cinema para ver Smith, queiram ou não, é criada uma expectativa, ainda mais quando trata-se da parceria dele com o diretor de À Procura da Felicidade. Pois bem, preparem os lenços porque o chororo vai rolar solto.

O longa abre com Smith ao telefone chorando relatando um suicídio. A tela muda e vemos os acontecimentos anteriores, que é o conhecer dos personagens a quem presta auxílio. Por duas horas vemos o enigmático Ben Thomas engendrar na vida de sete estranhos sem pedir nada em troca. Não se sabe o que ele pretende, mas algo em seu passado o força a querer mudar drasticamente a vida destes desconhecidos cuidadosamente escolhidos por Thomas. Por trabalhar na Receita Federal traça padrões e encontra facilmente aqueles que escolhe.


Gabriele usa de recursos como closes bem fechados nos rostos, o uso de desfoque e até mesmo a baixa profundidade de campo na interação entre o personagem principal com as pessoas. Thomas que apesar de muitas vezes depressivo e recluso, é todo sorriso e bobo como uma criança inocente ao conversar. De fala mansa e jeito próprio que faz surgir o interesse de Emily (Rosario Dawson) portadora de uma doença cardíaca, também uma de suas escolhidas. Aos poucos ao vermos os dois que há aquela edificação emocional. Outro destaque, mesmo que breve, é de Woody Harrelson que interpreta Ezra Turner, um deficiente visual.


Ao montar o quebra cabeças no decorrer da histórias com os rápidos flashbacks do atormentado personagem principal, e claro ao direcionamento que a história dá mais ao final, que percebe-se qual era o grande segredo de Ben Thomas. Daí fica esclarecida a obviedade do plano dele e do motivo de fazê-lo. Alguns podem dizer que por causa disso é uma história de desfecho fraco, que poderia ser melhor roteirizado, talvez para outros uma verdadeira lição de vida. Mesmo assim, isso não a descaracteriza de ser uma boa história, com atuações competentes.
Onde Os Fracos Não Têm Vez
Baseado na obra literária do ganhador do prêmio Pulitzer de mesmo nome, Cormac McCarthy, No Country For Old Man (Onde Os Fracos Não Têm Vez) é a adaptação dos irmãos Coen aos cinemas. O filme é o mais violento da dupla e traz atuações que deixam a quem assiste embasbacado.

Logo de cara, na cena de abertura vemos um policial rendendo um carro no meio da estrada do oeste Texano no verão de 1980. Na delegacia de polícia damos conta de que o homem preso é Javier Bardem de Mar Aberto (Anton Chigurh) que estrangula o mesmo policial que o prende com as algemas até a pele do pescoço dilacerar, com sangue para todo o chão. A cena mais violenta de todo o longa metragem, o que nos dá o tom de como será a história. Ao fim as marcas da bota da vítima marcadas ao mesmo chão.

Depois, é a vez de Llwelyn Moss ser apresentado (Josh Brolin). Um homem ordinário da região texana e ex-combatente da guerra do Vietnam com chapéu de palha. Está em meio ao deserto caçando e de repente se depara com uma cena de crime – uma transação de drogas mal sucedida - com corpos espalhados ao chão. Acha uma maleta com a quantia de dois milhões de Dólares. Sem dinheiro, morando num trailer e casado, não resiste e a carrega a maleta para si. Mas sabe que será caçado por quem quer que seja, pois por uma quantia dessas sempre tem alguém por ai para fazer perguntas.

Por último o xerife Bell (Tommy Lee Jones). Homem esperto, virtuoso, da terceira geração da família a ser policial que toma conta da cidade. Analisa o crime e seus envolvidos por meio de dedução lógica e corpos ao longo do desenrolar da trama da história.

Os diálogos são singelos, contudo de uma profundidade interessante. Como Anton em um posto de estrada que nem Sócrates fazendo perguntas tolas, mas bem elaboradas uma atrás da outra confundindo o dono do estabelecimento. Seus diálogos são secos, indiferentes, insistentes, manipuladores e arrogantes. Não há senso de humor algum e o corte de cabelo ao estilo príncipe Adam (!) é ridículo e ainda assim muito próprio da personagem, porém mais gritante que isso é a frieza em matar sem nem pestanejar.

É quando surge aquele tom de voz e sabemos que algo de ruim poderá acontecer. “Qual foi o máximo que já perdeu no Cara ou Coroa?” pergunta ao velho dono do posto. Num lançar de moeda ao ar fica claro que o destino da vítima será decidido ali. A moeda cai e sua mão a tapa no balcão. A atuação de Bardem é peculiar. Ele encontrou um jeito de desenvolver a personalidade do personagem e nada se sabe sobre a procedência dele. A única menção feita sobre o mesmo no livro é que não há senso de humor.

Então, vemos a interação, ou não interação dos três homens. Moss fugindo com a grana, Anton perseguindo-o e Bell atrás dos dois querendo solucionar tudo. É bem verdade que tudo gira em torno do dinheiro, mas o desenrolar dos fatos, a ação, tiroteio, a típica e bem feita caça gato-e-rato e o jeito como filmam são um prato cheio. A dupla não economiza em mostrar as mortes e ferimentos. É tudo muito cru, direto, sem nada que nos prepare para o que virá.

Não foi à toa que Javier Bardem ganhou a estatueta de ouro como melhor ator coadjuvante, e que Joel e Ethan Coen foram premiados com a melhor direção, e foi a primeira vez que uma dupla de diretores leva o prêmio. Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado também estão inclusos na lista. Aqui fica esta dica para você que quer uma boa opção para entretenimento.
Os Reis da Rua
“Somos policiais. Nós podemos fazer tudo!” são as palavras do capitão de Polícia Jack Wander, interpretado pelo ganhador do Oscar de melhor ator em 2007 (O Último Rei da Escócia) Forest Whitaker a Keanu Reeves. Tudo começa quando Tom Ludlow (Reeves) resolve um complicado caso em Koreatown sobre gêmeas desaparecidas e logo visto pela mídia como um verdadeiro herói. Mas a vida do personagem prova que ele está longe desta denominação por ser trágica, já que sua esposa falecera. Agora se relaciona com uma enfermeira na tentativa de recomeçar, mas tornou-se um alcoólatra sempre presente para o trabalho. O filme conta também com o vencedor do Globo de Ouro por duas vezes, Hugh Laurie, o egocêntrico doutor da série House, que interpreta o capitão James Briggs buscando a cabeça de Wander por seus atos ilícitos.

Whitaker comanda um grupo de policiais que fazem tudo para manter a ordem e muitas das vezes por meios nada éticos, o que faz questionar os reais propósitos das operações. Em outras palavras, são tiras corruptos! O antes considerado herói está mais para anti-herói no decorrer da fita e descobrimos de cara que de bonzinho não tem nada, contudo um homem que há parcela de humanidade, de constante conflito e obrigado a viajar num mundo cruel na ensolarada cidade de L.A.

O filme realmente começa quando o personagem Terrence Washington (o ator Terry Crews) decide relatar as atividades clandestinas de Ludlow, e logo depois é assassinado por dois homens no momento em que estava junto a Tom Ludlow em uma loja de conveniências. No meio do fogo cruzado, o personagem de Keanu atinge acidentalmente o parceiro e a perícia constata que havia três calibres diferentes, o dos dois bandidos, além do policial. Todas as evidências o apontam como participante do crime encomendado e tudo é acobertado para que o seu nome não fique sujo. A partir daí, a obsessão do angustiado policial em uma busca por vingança, numa caça aos mandantes da execução ao lado de Paul Diskant (Cris Evans). A todo o tempo vemos Wander persuadir Tom a esquecer o ocorrido, mas que não escuta e investiga os assassinos em liberdade.

Não é difícil saber quem é o verdadeiro bandido malvado da estória e ainda assim Os Reis da Rua (Street Kings), que foi dirigido por David Ayer, é uma boa opção de filme policial mostrando que o mundo não é em preto-e-branco e que um homem decaído pode fazer atos heróicos ao arriscar a própria vida em busca de uma verdade, mesmo caindo em um contra-senso já que o faz não só por justiça, mas bem como vingança. Esse é o tipo de homem na qual “os meios justificam os fins” é verdadeira, e que fará o necessário para obter as respostas no caso em que se envolveu.
Quebrando a Banca
Robert Luketic assume a direção de Quebrando A Banca (21) neste gênero já muito conhecido pelo público que é o de faturar uma bolada num grande e ousado golpe. As coisas começam quando Benjamin Campell, interpretado por Jim Sturgess, desperta o interesse de Micky (Kevin Spacey) o professor de cálculo da MIT (Massachussets Institute of Technology) que se espanta com a capacidade intelectual do jovem rapaz. Junto com o protagonista, outros alunos são recrutados por serem igualmente destacados por seus brilhantismos com números e memorização dos mesmos. O objetivo de Micky é simples: ficar rico nos jogos em Las Vegas.

Ao primeiro momento Benjamim recusa de cara a tomar parte da armação e não acha que possa servir ao grupo. No entanto, por desejar muito uma bolsa de estudos em Medicina na universidade de Harvard, que equivale a trezentos mil dólares, integra ao esquema principalmente após cair no esquema de um chamariz clássico: Ser persuadido Jill Taylor (Kate Bosworth de Superman: O Retorno) a qual tem uma paixonite platônica e aguda (certamente correspondida).
Não demora e logo vira o protegido do líder, que o lembra a si mesmo 25 anos atrás, citando que o garoto gênio é perfeito para o golpe por não deixar as emoções tomarem conta em momento algum. Com o tempo, Campell fica tão alucinado com as possibilidades que diz, "Em Boston sou apenas Ben Campbell, em Vegas era quem eu quisesse... Em Boston nós tinhamos um segredo, em Vegas nós tinhamos uma vida."

Com tudo devidamente arranjado, códigos estabelecidos, o que restam a fazer é contar as cartas. De acordo com o personagem de Spacey, a prática de contar e memorizar as cartas não são considerados ilegais, mas como diz o ditado popular “A banca sempre vence”. É apresentado devidamente Cole Williams, frio, cruel e meticulosamente encarnado por Laurence Fishburne (o Morpheus da Trilogia Matrix).

A fita grava em HD não é ruim, mas também não é uma obra prima do gênero, mesmo sendo baseado em fatos reais, e traz consigo obviedades do roteiro (ou pistas deixadas no decorrer do conto, se preferir), além dos elementos que dão o tempero como arrogância, ganância, conflitos, autodestruição dos mesmos e guerra de egos por haver um favorito dentre os integrantes da equipe. Além disso tudo, as luzes da cidade brilhante de Vegas com suas intermináveis festas. E claro, como não poderia deixar de ser... a tão clássica, quanto previsibilíssima, reviravolta ao final.
Cada número é uma palavra e cada palavra é um número para os que aplicam as jogadas de mestre, mas isto para o espectador não é importante tanto assim, tudo que resta é ficar sentado e ver a ‘mágica’ funcionar. Não se esqueçam, em Quebrando A Banca ou na vida real, a banca sempre vence... Sempre!
Meu Nome Não É Johnny
“A vida é uma raposa e quando você vê, passa rápido” é a frase de Giulio Lopes, o ator que encarna o pai de João Guilherme Estrella interpretado por Selton Mello. E assim o protagonista viveu a sua vida. Durante a primeira metade da fita, vemos a infância e adolescência de João.

Década de 70 é a época de idas aos clássicos do estádio Maracanã, de brincadeiras e sapequices de criança, sem freio algum e com certa cumplicidade do pai, o seu herói. Mas estas brincadeiras e sapequices de criança aos poucos vão dando espaço a uma grande libertinagem e a entrada de um mundo que por muitas vezes não há volta: as drogas. Tudo por causa de um baseado fumado aos quinze anos de idade com amigos na praia.

O destino de João começa a ser trilhado por caminhos que o levam a badalar-se no tão notório e marcante rock and roll dos anos 80, caindo de cabeça no mundo das drogas para alguns anos depois conhecer a pessoa que com quem partilha do frenesi de suas festas noturnas intermináveis. Entra em cena a personagem de Cleo Pires (Sofia) sendo linda, sensual e provocante, encontrando com ela momentos de briga e de paz e conforto.

Suas festas e loucuras mostram o lado cool, divertido e tentador de ser sempre o anfitrião ao receber amigos e belas mulheres. O sucesso como comerciante de cocaína lhe dá oportunidade de conhecer o glamour de uma boa vida. Gargalhadas histéricas em salas de cinemas são garantidas havendo identificação com Selton Mello em ação nas cenas com diálogos afiadíssimos e de muito bom humor, embora que não politicamente corretos.

A expressão ‘muito riso é sinal de choro’ faz-se verdade no filme. Em sua segunda metade a vida do protagonista vira de cabeça para baixo quando preso na Europa. Júlia Lemmertz, a mãe devotada se vê diante de um pesadelo e João começa a pensar em mudar de vida quando não mais enxerga a luz no fim do túnel.

Os risos e piadas tão freqüentes na primeira hora do longa-metragem dá lugar ao silêncio e atenção a uma estória dramática. O espectador torce pela absolvição de João mesmo tendo vivido à margem da lei, isso devido à graça e simpatia de Selton Mello que conquista aquele sentado na poltrona pelas falas e gestos de uma pessoa comum, como as de um amigo próximo.

Ao final, em lágrimas, a personagem exprime o verdadeiro significado da liberdade estampada no rosto simplesmente ao ver a praia de Copacabana e o céu azul na volta para casa. Nestes momentos finais, João Gulherme Estrella despede-se da antiga vida bandida, abraçando um novo começo. O espectador presencia um bom final e renova as forças respirando fundo e seguindo em frente como João.

"Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda." Cecília Meireles, em Romanceira da Inconfidência