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Antes de Partir
Antes de Partir (The Bucket List) reúne dois grandes astros das antigas, Jack Nicholson e Morgan Freeman, neste comovente e divertido conto sobre a vida, apesar de ter a morte à espreita. Tudo começa quando ambos descobrem em dado momento que têm câncer. Logo são hospitalizados e dividem o mesmo quarto.

De um lado há Edward Cole (Nicholson), um homem rico, dono de uma rede de hospitais (inclusive o próprio em que está internado), e que já fora casado quatro vezes. Mas ao mesmo tempo em que amava estar casado, não largava a vida de solteirão e por anos se sentiu sozinho, ocupando-se com negócios.

Dividindo o outro lado do quarto, Carter Chambers (Freeman). Um mecânico casado, pai de três filhos, inteligentíssimo e articulado. Orgulha-se em dizer que não faz parte do grupo de 96% das pessoas que não querem saber o dia em morrerá. Ele acredita que sabendo exatamente o dia em que se parte desta para melhor há estímulo suficiente para começar a viver o que nunca foi possível.

Ambos são de mundos diferentes e tiveram a oportunidade de conviverem juntos. A única coisa que os fazem cultivar uma amizade verdadeira, e paralelamente compartilhar do mesmo destino, é a morte! Um é oposto do outro, contudo se atraem, se complementam e chegam a um ponto em comum que é de viver tudo aquilo não experimentado em toda a existência. E o que fazer antes de morrer? Simples... Uma listinha de coisas e ao segui-la começam a (re)viver. Pular de skydiving, fazer tatuagem, apostar corrida com a máquina dos sonhos (Um Shelby 67 vermelho contra um Camaro amarelo), transar com uma aeromoça, etc... Tudo para sentir o sangue correndo nas veias.

Entre um momento Rock ‘n’ Roll e outro há diálogos interessantíssimos no jato particular de Cole, ou no alto das Pirâmides, em um restaurante e mansão na França (...) que fazem questionar a existência de Deus, sobre o que é a vida, a felicidade, fatos, causas e conseqüências. Não poderiam ser mais opostos os personagens. Enquanto que Chambers é um homem de fé, que simplesmente prefere acreditar em uma força maior que conduz toda a vida, Cole em sua plena arrogância e sarcasmo diz que tudo não passa de coisas que simplesmente estão lá, que se deve viver e não questionar a origem de tudo por ser uma perda de tempo.

Outro ponto fortíssimo a favor da fita, além das conversas intrigantes e aparentemente triviais, são as curiosidades como a fixação do personagem de Nicholson pelo Kopi Luwak (o café mais raro do mundo), a partida de cartas entre os dois do inicio ao fim do filme, a narração Em Off de Freeman, e claro, as locações com belíssimos cenários como Muralha da China, Egito, Índia...

Impagável é a atuação de Morgan Freeman e Jack Nicholson que em momentos consegue ser reflexiva, emocionante e de bom humor, como a frase do rabugento Cole para seu assistente Thomas: “Três coisas que não se deve esquecer ao envelhecer: Não perca a chance de ir ao banheiro, não desperdice uma ereção e não confie em um pum”, seguido de risadas histéricas da platéia nas poltronas no escuro do cinema.

Antes de Partir é um primoroso filme e Rob Reiner sabe apertar os botões certos na hora de fazer rir, chorar e refletir. Os protagonistas viveram mais no tempo que lhes restou do que muitas pessoas a vida inteira; e para você que fica reclamando sobre levantar cedo para trabalhar, um conselho... Saia da cama e vá (re)viver um pouco mais. Se o fim de todas as coisas é algo certo, talvez o segredo seja saber como viver até o último dia. Caso a película fosse nacional, Epitáfio da banda Titãs seria a canção obrigatória na trilha sonora. Para completar,uma outra curiosidade ao final com as luzes acessas. Um casal de idosos levantou-se com lágrimas ao rosto e seguiu até o fim do corredor, abraçados.