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Bastardos Inglórios

Quentin Tarantino realmente sabe deixar a sua marca nos filmes que realiza. Da violência praticamente gratuita e estilizada que traz como precedente os diálogos afiados, intrigantes e curiosos, para de fato começar um banho de sangue e mortes. Com a mais nova obra, Bastardos Inglórios, não foi diferente.


Como de praxe nas histórias que dirige a narrativa é divida por capítulos, mas ao contrário de Pulp Fiction, referência mor do cineasta, o conto segue uma linha temporal contínua, ou seja, não há vai-e-vem, e particularmente foi em ordem cronológica que a produção foi gravada, fator raro em Hollywood.

O ponto forte de Tarantino, sem dúvida, é a interação e construção dos personagens, a começar pelo coronel Hans Landa (o ator Christopher Waltz), o ‘Caçador de Judeus’ na introdução tensa ao dialogar com um homem suspeito de abrigar fugitivos judeus numa fazenda. De certo o que tem mais presença ao longo de uma hora e meia de fita. O jeito como a câmera circunda os atores à mesa e a tensão na música de fundo - o maestro italiano Ennio Morricone compõe parte da trilha do filme- já prenunciam massacre. De lá a jovem Shosanna foge sendo a única sobrevivente.

Quatro anos depois a personagem é dona de um cinema em Paris, território controlado por nazistas, no auge da Segunda Grande Guerra, e sua beleza chama a atenção de Frederick Zoller (Daniel Brühl), que estrela uma película que reforça o poderio alemão frente aos inimigos de guerra. Por ter reconhecimento de bravura dentre os militares alemães, ele consegue a chance de fazer a estreia desse mesmo filme no cinema da bela jovem, querendo em troca, obviamente, afagos da loira que não correspondidos.

Já os ‘bastardos’ formam uma divisão especial de soldados americanos e judeus que tem um objetivo somente: Matar os nazistas, como o próprio tenente Aldo Raine (Brad Pitt) diz aos seus subordinados.
A obsessão dele reforçada pelo sotaque do Tennessee ao falar sobre como adora identificar e matar cada nazista filho-da-mãe que puder é de um transtorno obsessivo impagável!

Apesar de protagonista, não se engane... ele consegue ser tão doentio quanto os adversários, afinal, não é nada normal exigir cem escalpos de cada um dos soldados que comanda.

Se violência não lhe agrada, caro leitor, então a história certamente não é para você já que é um dos mais violentos de toda a filmografia de Tarantino. A cena que justifica tal fato é quando um prisioneiro nazista é mantido sob o comando da personagem de Pitt, e quando se recusa a ajudar os bastardos entra em ação o brucutu do sargento Donnie Donowitz, também atendendo pela alcunha de ‘Urso Judeu’ (Eli Roth). Aqui, violência gratuita, e até desnecessária, ao vê-lo estourar a cabeça do prisioneiro de guerra com um bastão de beisebol. Isso foi apenas o começo do que estava por vir, mas acalme-se já que apesar do tamanho nível brutalidade, este ocorre em momentos específicos, bem espaçados entre longos diálogos acompanhados de planos de câmeras.

A união dos caminhos dos bastardos e de Shosanna é justamente a noite no cinema o qual todos os grandes cabeças do Terceiro Reich estarão alocados. A atriz e agente infiltrada Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger) é o elo para fazer com que os soldados americanos tenham a chance de acabar com a guerra, executando o plano de matar Adolf Hilter. Mas apesar da simplicidade do plano de Aldo, na prática, ele e os bastardos passam por poucas e boas, com um desfecho digno de aplausos.

Se for fã do diretor não pode perder a forma como é conduzida a história e é lapidada a personalidade de cada um que brota na tela de projeção. Vá ao cinema ver testículos estourados, diálogos afiados, mortes insanas, escalpos, tiroteios e um Hitler histérico, ruborizado e respingando perdigotos ao ar, simplesmente porque Tarantino ainda é o cara!





Coração de Tinta
Quando pequeno depois de assistir A História Sem Fim, lá naqueles longínquos anos de 1992, perguntava sem parar a minha mãe se ao imaginar um mundo este mesmo podia ser criado como num passo de mágica. Bom, é mais ou menos isso que acontece em Coração de Tinta (Ink Heart) de Iain Softley.

A história é a adaptação do primeiro conto da trilogia de Cornelia Funke sobre um homem chamado Mortimer Folchart (Brendan Fraser), também conhecido como Língua Encantada pelo poder de dar vida a todo conto que lê. Este é mais um filme em que faz um pai de família caricato as voltas de uma aventura além da imaginação. Em outras palavras, filminho com Fraser na Sessão da Tarde, de novo. Corre o mundo atrás da mulher desaparecida, que supostamente adentrou uma das fábulas que lia para a sua filha quando bebê, e um livro misterioso, sempre acompanhado de sua filha solitária e metidinha a esperta Meggie (Eliza Bennett). Mais clichê, impossível.

Mesmo com atrativo para o público infanto-juvenil, o vilão Unicórnio vivido por Andy Serkis (O Gollum da Trilogia Senhor dos Anéis) e o mocinho não economizam no verbo ao dizer que mataram quem for preciso para obter resultados.

O longa é cheio de fantasia e efeitos. Os capangas submissos ao vilão Unicórnio são feios e sujos lembrando um pouco as criaturas de A História Sem Fim. Há grandes nomes no filme como Paul Bettany (O Silas de O Código DaVinci) que interpreta Dustfinger, Hellen Mirren como a tia-avó ranzinza Elinor Loredan (A Rainha) e Jennifer Connely, o interesse amoroso de Bettany no filme – assim como na vida real - que faz uma pontinha dispensável. Nem mesmo assim eles salvam o filme, principalmente ao final quando Mirren montada em um unicórnio e vestida de branco com um espeto para feno à mão, no pior estilo Gandolf, vai tentar salvar Meggie.

Com a sala de cinema com crianças, elas não agüentaram ficar lá, já que saiam correndo em meio à sala de projeção ou bufando e bocejando por ser um marasmo, apesar da miscelânea divertida no conto com O Mágico de Oz, Ali Babá e os 40 Ladrões, Chapeuzinho Vermelho e outros contos populares. Tão sem paciência quantos essas crianças, foi a minha mãe anos atrás ao me responder sem um pingo de calma que é tudo somente um filme e que parasse de encher o saco dela. Coisas da vida real e não conto de fadas.
Controle Absoluto
A Dreamworks, estúdio de Steven Spielberg, e o diretor D.J. Caruso acertam de novo ao trazerem Controle Absoluto (Eagle Eye), que em essência é como Inimigo do Estado, que foi estrelado por Will Smith, justamente por tratar da questão do panoptismo de Michel Foucalt. Só que este filme vai muito além. A América vive em um estado de sítio nos setores de telecomunicações e todo tipo de comunicação é monitorado pelo governo, até mesmo os telefones celulares quando desligados. Uma verdadeira paranóia ou medida cautelar?

Tudo começa no Oriente Médio quando o Pentágono está à caça de Majid Al Kohei que está aparentemente em um funeral. Michael Chiklis (O Coisa de Quarteto Fantástico e da série The Shield) interpreta o secretário Callister que, contra a própria vontade, recebe ordem direta do presidente dos Estados Unidos para executar um plano de ataque no local em que está o terrorista. No ponto de vista patriótico a ação se justifica para salvaguardar a vida de inocentes, mas o ato na verdade não passa de uma forma de extermínio, de terrorismo, vindo a mando do chefe maior da terra do Tio Sam.

A tela muda e vemos Jerry Shaw (Shia Labeouf) em um simples jogo de carta num quartinho dos fundos da Copy Cabana (ê trocadilho besta), local em que trabalha com uns amigos. Com um jeito um tanto desleixado, contudo manipulador, blefa para ganhar uma grana e finalmente poder pagar para senhoria o aluguel sempre atrasado. Se com o diretor D.J. Caruso em Paranóia a idéia era de mostrar o garoto cheio de problemas, então neste novo longa o que importa é de apresentar um jovem adulto (de barba por fazer para talvez tentar não remeter mais Shia a um garoto, e sim como homem) com problemas ainda maiores, multiplicados a extraordinários níveis. Jerry é o cara desgarrado da família. Sentia-se um estanho no próprio lar e fugiu da escola, e não agüentava mais ser comparado ao irmão, um oficial da Marinha que trazia orgulho aos pais. Para sobreviver fazia alguns trabalhos, viajando a lugares como Singapura, Indonésia, etc. Mas após pagar a velha senhoria recebe um telefonema que o desnorteia, a morte do irmão gêmeo Ethan. Caruso pincela sobre o drama particular do rapaz quando discute com o pai (William Sadler) após o enterro do irmão.

A segunda protagonista é Michelle Monaghan (de Missão Imposível III), Rachel Holloman, mãe divorciada que ama o filho Sam acima de tudo e acaba de embarcar a sua cria num trem para Washington, já que o garotinho é um instrumentista que tocará para o presidente, juntamente com o grupo em que estuda música. Evidente é o problema de Rachel com o ex-marido, e nem mesmo o dá a chance de explicar o motivo do atraso dele em deixar o filho na estação.

Quando Shaw chega em casa e vê um pesado armamento em seu apartamento recebe um estranho telefonema não identificado dando-lhe coordenadas de fuga. Não obedece e é preso em seguida pelos federais. É interrogado por Tom Morgan (Billy Bob Thorton), chefe de uma divisão antiterrorista sob suspeita de terrorismo. Após uma série de perguntas o telefone toca novamente e foge recebendo ordens diretas para entrar num porsche preto, em um devido local e hora. Já para Rachel na mesma noite com amigas, recebe o mesmo comando e não obedecendo, o filho que viajava no trem sofreria um acidente por descarrilamento. Dentro do porsche é que o destino dos dois protagonistas se cruza. A perseguição de carros entre o F.B.I. e o porsche é cheia de ação. Vemos a manipulação do tráfego a favor dos personagens principais para a facilitação da fuga, e durante a cena perguntam-se quem é o responsável por aquilo ser possível.

Para engrossar o caldeirão em meio a tanta conspiração, Zoe Perez (Rosário Dawson) investigando o passado de Ethan Shaw, co-atuando ao lado de Thorton. O desenrolar dos acontecimentos é bem feito e mantém a atenção do espectador. Não há somente correria, explosões e tiros, existe um aqui espaço para pensar nos acontecimentos e entendê-los, como o encaixe da introdução do filme sobre o ataque em solo do Oriente Médio com o destino dos personagens, o destacar da tecnologia não como vilã, mas como meio poderosíssimo que tanto pode nos ferir quanto nos auxiliar, e, novamente é introduzido o drama pessoal. A exemplo, quando Rachel se abre e conta do filho e ex-marido para Jerry entre uma ação suicida e outra.

Com uma certa dose de patriotismo norte-americano em tempos de terrorismo, e além de destaques as tantas formas de controle, de docilizar, punir, de ação corretiva e teorias conspiratórias, é de se divagar: Para onde vai a nossa privacidade e segredos? Mas não se torture tanto nessa pergunta, pois o que acontece aqui é coisa de filme, não é?

HellBoy II - O Exército Dourado
Apesar de Mike Mignola ter criado os personagens, não há nada de mirabolante na história desta sequência. Esta cumpre bem o seu papel de contar a trajetória de sacrifício de um herói, com espaços para conflitos pessoais enquanto existe uma pausa para respirar após a ação, muitíssimo bem executada, diga-se de passagem.

O filme em sua introdução mostra o professor Broom (John Hurt), em um Natal, quando o Vermelhão ainda era um demônio criança. Não querendo dormir e esperar pelo bom velhinho descendo a chaminé, implora ao pai que vai escovar os dentes e cair no sono se uma estória de conto de fadas for dita. É sobre o rei Balor (Roy Dotrice) e sua luta de fantásticos seres (como elfos, goblins...) contra os humanos. Guillermo Del Toro incrementa o suposto conto de fadas com imagens de bonecos para suavizar talvez a violência da batalha e criar a ilusão de que é de fato história infantil. O rei perde a guerra, mas lhe é ofertada a chance de ter um exército indestrutível que posteriormente massacra os oponentes. Mas o guerreiro rei se arrepende e divide a coroa de Bethmoore em três partes. Uma para os humanos e as que sobraram para consigo mesmo, e assim a trégua foi feita.

Voltando ao tempo presente, Liz (Selma Blair) e HB (Ron Perlman) estão juntos, mas nem tudo é o mar de rosas. Vivenciam um constante conflito que testa o relacionamento. Ela quer as louças lavadas e ele só quer saber de beber cerveja ou fumar charutos cubanos, ela organizada e já ele bagunceiro. Como se não bastasse, não agüenta mais estar cativo no Departamento de Pesquisas e Defesa Paranormal. Sempre que pode dá uma escapadinha e acaba aparecendo em vídeos no Youtube. Posa para fotos em parques, dá autógrafo, aparece nas ruas e metrôs. Resultado é dor de cabeça à Tom Manning (Jeffrey Tambor), o diretor do departamento que a todo instante cobre as atividades do local alegando que nada do que dizem e vêem por ai é real. Contrata um novo agente, o alemão Johan Krauss (James Dodd na atuação física e Seth MacFarlane na voz) para vigiar o vermelhão, deixando o último intimidado por ser cool demais entre os agentes.

Ao mesmo tempo, o bureau começa a caçar o príncipe Nuada (Luke Goss), filho de Balor, que não aceita a trégua com os humanos de outrora e quer despertar novamente o exército dourado reunindo as partes da coroa, e sim, dominar o mundo como no início dos tempos.

O mundo descobre a verdade e uma questão filosófica desabrocha. HellBoy não é aceito no mundo em que foi criado, mas também não se sente à vontade em um mundo com criaturas como ele. Isso traz certa consistência ao roteiro, mas o que realmente prenderá mais a atenção é o visual das criaturas, bem como os cenários, típicos de Del Toro. O mercado troll é um exemplo excelente quanto à isso.




É como um tripé na verdade. Uma perna é a ação, a segunda é o visual do filme, e a terceira é o bom humor mesclado ao dilema do herói. Destaque para cena em que HB e Abe Sapien (Doug Jones) estão teorizando sobre mulheres e o amor completamente bêbados! Enquanto que HB fala de sua amada Pirocinética, o peixão azul escuta músicas de amor pensando em Nuala (Anna Walton), a irmã do ‘vilão’ do filme. O que não faltará são chances de uma nova aventura graças ao desfecho e elementos incorporados. É sentar e esperar.
A Múmia - Tumba do Imperador Dragão
A franquia de A Múmia traz para esta terceira parte mais do mesmo. Um ser do mal ressurge das cinzas e areias do tempo para ficar a frente de um exército indestrutível e dominar o mundo. E para encará-los, a família O’Connell. Rob Cohen (Dragão – A História de Bruce Lee e Velozes e Furiosos) dirige, e os roteiristas Alfred Gough e Miles Millar (os responsáveis pela série Smallville) vêm com a velha fórmula de sempre... E não é que deu certo!!!
Jet Li interpreta Han, um imperador cruel na China há mais de dois mil anos. Um período em que o país estava divido em vários reinados. O visual do astro das artes marciais como morto-vivo é impressionante, bem como os efeitos especiais. O personagem tem a habilidade de controlar os elementos do fogo, madeira, terra, metal e água.

A vontade dele é de unificar os reinados através de batalhas. Quando derrotados todos os inimigos, os enterra sob a Grande Muralha da China. Mas até mesmo o arrogante ditador reconhece que a missão de conquistar tudo e todos é grande demais pra uma só vida. Sua maior batalha seria contra a própria morte e visando a imortalidade recorre à personagem Zi Yuan (Michelle Yeoh). Ela é uma feiticeira que conhece o caminho para o desejo de Han, a de ser imortal. Percebendo que conseguiria seu maior desejo, ordena ao seu general protegê-la e não deixar nenhum homem tocá-la, mas falha na missão por envolver-se com ela. Mas ao invés de agraciá-lo com a vida eterna, o enfeitiça a passar a eternidade como uma imagem em terracota depois de ver o amor da vida dela morrer friamente sob o comando do personagem de Li.

Já em 1949, a rotina enfadonha da família O’Connell dissolve a forte paixão entre Rick (Brendan Fraser) e Eve (agora incorporada por Maria Bello). O chefão de família passa seus dias pescando, matando o tempo com atividades bem diferentes daquela antiga vida de soldado da Legião Francesa. Evelyn tornou-se uma escritora de sucesso após narrar em livros sobre as duas primeiras aventuras vivenciadas em A Múmia e O Retorno da Múmia.
Alex (Luke Ford), o filho rebelde do casal, querendo sair da sombra dos pais exploradores descobre a tumba do imperador e a traz consigo os guerreiros e o imperador de terracota até o Ocidente. Quando o governo toma conhecimento da descoberta, pede ao casal que tomasse conta de uma preciosa peça encontrada nos escombros, já que durante a guerra prestavam serviços arqueológicos e os federais querem mais este favor pela família ser experiente neste tipo de assunto. Tal pedra é considerada relíquia e patrimônio da China, mas na verdade é uma forma de ressuscitar os mortos vivos dos escombros. Eve encara este novo capitulo na vida como uma chance de agitar as coisas e sentir o sangue correndo nas veias.

John Hannah está impagável novamente como Johnatan. De certo, o brincalhão do filme com piadas nos momentos mais explosivos aos mais tranqüilos. Ele é dono de uma casa noturna em Shangai, e como sempre continua festeiro. Impossível não comparar as cenas de ação na casa noturna (que leva o nome de um personagem dos dois primeiros filmes), o desenrolar das situações, as roupas de época com as de Indiana Jones e o Templo da Perdição. É praticamente obrigatória essa comparação, além de ser talvez uma homenagem ao clássico de Steven Spielberg.

Ok, o filme é legalzinho, cuidadosamente filmado, entretém, faz menção sempre as histórias prévias, mas como dito é mais do mesmo. No primeiro filme se Ardeth Bay (Oded Fehr) era responsável por guardar o local em que descansava Imhotep e impedir que ele fosse despertado, agora é a vez da lindíssima atriz Isabella Leong (Lin), par romântico de Alex de fazer o mesmo em relação ao Imperador Dragão. Muitos tiros, explosões, lutas impossíveis e incansáveis, e as piadas engraçadinhas do filme. Enfim, tudo que um filme pipocão precisa para fazer os produtores, roteiristas e diretor ganharem um retorno gordo em seus bolsos. Será que rola um quarto filme?
Batman - O Cavaleiro das Trevas
Você pensa que Batman Begins é a melhor adaptação do homem-morcego no cinema, então vá correndo a sala de exibição mais próxima, porque O Cavaleiro das Trevas vai surpreender. O filme não é para crianças e tampouco o Coringa é um palhaço idiota! A chave para tamanho apelo ao filme é o intricado plano do Coringa para o herói e cidade, as atuações (com destaque louvável a Heath Ledger) e outros elementos que se fazem notar, como o plano de tomadas aéreas, explosões e efeitos pirotécnicos.

A Trama
Logo aos primeiros minutos damos conta de que este não é mais uma história de super-herói. Ao começo vários homens fortemente armados com máscaras de palhaço executam um plano de mestre ao assaltar um banco, e claro, tudo orquestrado magistralmente por ninguém menos do que o Coringa. Na busca por ser o maior gênio criminal, tem a idéia de eliminar Batman e tomar o controle de tudo. O personagem está obcecado em desmascarar o cavaleiro negro a todo custo, e a todo custo mesmo. Ele libera em verdadeiro caos na cidade na cidade de Gotham, e James Gordon juntamente com o promotor Harvey Dent assim como toda policia movimentam-se para saber os próximos passos do palhaço.

Harvey Dent
Do outro lado da moeda, Harvey Dent (Aaron Eckhart com muita boa atuação) um promotor que busca justiça visto aos olhos da cidade como o homem que pode livrar Gotham de sua Quimera, o crime! É uma figura pública muito conhecida que sofre pressão em busca da diminuição da criminalidade, mas que tem ao seu lado a então namorada Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal).

O Triangulo Amoroso
Rachel segue com a vida pessoal e profissional, e agora se relaciona com Dent. Bruce tenta digerir o infortúnio e tenta recomeçar com a jovem já que devido a iminente queda da criminalidade, pensa em deixar de lado a máscara e manto negro e ter uma vida normal. Acredita piamente que Harvey é o verdadeiro herói por seus feitos com a Lei.

Bruce Wayne/Batman
Aos olhos da sociedade graúda de engravatados com suas intermináveis festas, Wayne é um garanhão festeiro. Mas na verdade ele é como James Bond não só por causa dos caros ternos e garotas, e sim por ter a ajuda de Lucius Fox (Morgan Freeman) que age como um verdadeiro Q, apresentando novas armaduras e utensílios. Como se não bastasse, é também uma mistura de Ethan Hunt (da trilogia Missão Impossível) por loucas acrobacias quando trajado de Batman (como pular de altos prédios na China), e quando sobra um tempinho faz o melhor estilo Gil Grissom da série CSI ao analisar balística.

As cenas de ação em que Batman vai até a China buscar pelo mafioso disfarçado de empresário Lau (Ng Chin Han) é de fazer o queixo cair. As ações de Batman são executadas perfeitamente como a de Coringa ao início da fita quando rouba um banco, contudo é maior e melhor. Além disso, temos a boa e velha pancadaria (o justiceiro luta contra mais de cinco homens, um por um) coisa que sempre deixou a desejar nos filmes do morcegão até Nolan e Bale se juntarem e fazerem parte deste universo.

O ator Heath Ledger, a galinha dos ovos de ouro
É fácil e difícil ao mesmo tempo descrevê-lo, pois parece que não há adjetivos o suficiente para tentar explicar a sua persona, embora pareça que todos os possíveis adjetivos e qualidades se enquadrem perfeitamente na linguagem corporal: Maquiavélico, genial, mórbido, sinistro, obscuro, um vulcão em erupção constante e insanamente divertido e assustador. Por vezes chega aa roubar a cena do colega Bale, contudo este último muitíssimo competente na atuação, até porque é de fato quem melhor até hoje encarna o herói. O seu embate contra seu oposto, Batman, se dá em níveis não só físicos, mas também psicológicos e filosóficos, já que o herói decaído vê-se obrigado a ir de encontro a seus princípios.

Chistopher Nolan brinda aos fãs e não fãs com Batman - O Cavaleiro das Trevas um filme de clima sombrio, com muita ação e um pouco de reviravoltas, porque é um filmaço. É admirável o poder em fazer um homem de carne e osso, que sangra tornar-se algo maior, um símbolo, uma idéia, mito, uma força a ser temida. Igualmente grandiosa a mitologia construída em torno do homem morcego é a construção da morbidez do Coringa. Com todo respeito às atuações do passado de Cesar Romero e Jack Nicholson, mas esqueça-as já que Heath Ledger está tinindo! Depois de ver o filme realmente não soa absurdo uma possível indicação póstuma ao Oscar de Melhor Atuação.
Coitada da alma incumbida de roteirizar os rumos pós The Dark Knight, já que terá um homérico trabalho, assim como sortudo (e azarado???) o ator que terá o grande fardo de manter-se tão bom ou melhor que Ledger ao vivenciar o palhaço psicopata. Dá pra contar nos dedos as sequências de filmes que deram certo e este novo do morcegão com certeza é uma delas!
Viagem Ao Centro da Terra
Brendan Fraser é um ator que norteia entre bons e maus trabalhos cinematográficos, e Viagem Ao Centro da Terra está exatamente no meio. Ao juntar o clássico da literatura de Julio Verne e o astro, pensa-se que é uma idéia promissora, mas a nova adaptação da obra é voltada para o público infanto-juvenil e por causa disso perde um pouco do seu brilho.

Tudo começa quando o professor e geólogo Trevor Anderson (Fraser) recebe sua cunhada e tem de passar um tempo com o seu sobrinho de treze anos Sean (Josh Hutcherson). O garoto é do tipo metido a espertinho, mal humorado e que no fundo sente a falta do pai que desapareceu há dez anos na busca pelo centro da terra, descrito nos livros por Verne.

Ao tentar ganhar a simpatia do sobrinho fala do pai do menino, Max, que era obcecado com Julio Verne sobre a idéia de existir um mundo dentro do mundo. Ao remexer nos antigos pertences do irmão, descobre coordenadas que o levam a Islândia onde começa toda a aventura. Chegando ao local conhecem a bela guia Hannah (Anita Briem), personagem que está mais para estrela pop teen por sua aparência de menininha, loirinha de olhos claros, e claro, namoradinha do herói. A partir daí o que parecia apenas uma busca por respostas, acaba se tornando a aventura de suas vidas.

Pontos fortes
O visual do filme. Há salas especiais em que o filme é apresentado em versão 3D. As cores e efeitos visuais são muitíssimos bem feitos.

Pontos Fracos
O filme não é de fato uma adaptação direta do clássico e sim uma homenagem ao livro que chega a ser mencionado a todo tempo na fita. Os personagens usufruem as páginas do clássico como forma de se guiarem pelo inóspito lugar que se encontram.

O finalzinho clichê sem vergonha
Ao final, como era de se esperar tudo é um mar de rosas e saem praticamente ilesos. A impressão é de um filme que é um grande vídeo game que nem aqueles de fase, como Pitfall, Super Mario Bros, Alex Kidd e tanto outros, e o mocinho é uma versão light, de confete e serpentina do explorador Rick O’Connel da franquia A Múmia, também interpretado por Fraser. Ou seja, recheado de efeitos visuais, barulhento, engraçadinho e animadinho, para a toda a família.

Um conselho: Espere sair em DVD, ou dar na tv. Este tem tudo para ser um filme Sessão da Tarde e já dá até mesmo para imaginar a chamada durante a programação: “Um garotinho muito esperto metendo-se em altas confusões com seu louco tio e uma linda gatinha numa aventura além da imaginação. Jornada Ao Centro da Terra. Filme inédito com Brendan Fraser, hoje na Sessão da Tarde!” Plim Plim!
Hancock
Peter Berg (diretor de Bem Vindo À Selva) acerta a mão em Hancock, que conta com um bom elenco e uma estória de super-herói nada convencional. O filme é sobre o infame, alcoólatra e solitário John Hancock (Will Smith em mais uma boa atuação), e nos minutos iniciais o vemos sobrevoando e dando rasantes na cidade de Los Angeles atrás de bandidos em alta velocidade em uma rodovia e na busca pelos bandidos, muita destruição de carros, placas de sinalização e feridos.

A imagem do (anti) herói é marcada por fracasso e um negativo trajeto desde sua primeira aparição a público, mas isto está por mudar quando salva a vida de um relações públicas convencido a mudar o mundo com ações positivas radicais, contrários aos grandes interesses de seus clientes, chamado Ray Embrey (Jason Bateman de Juno e série Arrested Development). Quando salvo tem a oportunidade de emplacar sua carreira representando o personagem de Will rendendo uma mudança na aparência ao fazer a barba, não usando roupas surradas e lhe dando um uniforme que traga imponência. E mais, fazer com que as pessoas o amem por seus heróicos feitos embora esteja longe de cair no agrado da população e mídia. Na tentativa de tornar o bruta-montes necessário a cidade, aceita de boa vontade ir para trás das grades por ter custado a cidade milhões em destruição, e o plano é justamente deixar a criminalidade crescer obrigando a volta do beberrão.

As coisas complicam no momento em que Mary Embrey (Charlize Theron), esposa de Ray, é apresentada para o herói decaído e acontece o então complicado ‘quase’ triangulo amoroso que torna por fragilizar a interação com Ray, ao mesmo tempo em que a imagem de Hancock passa a ser trabalhada.

Berg consegue com competência mostrar o quão árduo é ser um herói na vida de todos em um suposto mundo real (e o faz introduzindo elementos do cotidiano como Greenpeace e um jabá descarado do Youtube), ainda mais quando o odeiam, e mesmo assim não há como não amar o personagem apesar de execrado pelos seus concidadãos diariamente.

Além de questões como a solidão, de ser o único de sua espécie, muita ação e risos servem de contrabalanço, e há uma pitada de mistério quanto à procedência do personagem principal. É como um Superman às avessas e talvez o motivo de tanto sucesso é por não haver a pretensão de vê-lo como um, de não enxergá-lo inicialmente como um virtuoso homem que abre mão dos desejos pessoais para poder servir ao mundo. Esse é o diferencial dele aos outros seres de super poderes. Em suma, Will Smith mais uma vez mandou bem e mandou muitíssimo bem.
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
Dizem que as mulheres são como vinho porque melhoram com a idade. Bom, os heróis também ficam melhores com o tempo e prova disso é com Harrison Ford aos seus 65 anos de idade! Se achar que o grande aventureiro norte-americano já tinha feito e enfrentado de tudo, engana-se. Ele está de volta neste quarto episódio para os fãs e a trama se passa em 1957 com a Guerra Fria. A ameaça agora são os soviéticos e toda aquela efervescência da década de 50 sobre o comunismo, além de salvaguardar o estilo de vida americano, e quem melhor do que Ford para fazê-lo? Para mais esta missão, ele é ajudado pelo companheiro Mac (Ray Winstone).

O dr. Henry Jones Jr. (opa quanto formalismo, devo dizer Indiana Jones!!!) logo perde seu posto de professor de arqueologia por suas supostas ações comunistas e quando está a partir para a Inglaterra para dar aulas, conhece Mutt (Shia LaBeouf) que pede a ajuda do destemido saqueador de tumbas para uma missão pessoal que é de encontrar a Marry Williams (Karen Allen) e o professor chamado Oxley (John Hurt), que foi estudante e colega de classe do herói da fita. Na proposta feita pelo jovem rapaz, Indy dá se conta de que pode encontrar um dos maiores artefatos arqueológicos já existentes, a Caveira de Cristal de Akator e recuperar contato com o amigo de turma que há muito não vira. Para a surpresa do velho guerreiro, a mãe do jovem rebelde é na verdade Marion Ravenwood, a sua companheira no primeiro filme, Os Caçadores da Arca Perdida.

Do lado oposto aos bons mocinhos está a paranormal Irina Spalko (Cate Blanchett) que comanda com unhas e dentes um cruel grupo de soldados fazendo de tudo para ter em mãos a caveira de cristal, pois supostamente trará poderes ilimitados a quem devolver o artefato ao lugar de origem. Para Irina, em tempos como aqueles em que vivem é crucial saber cada passo que o inimigo dá (América) para só assim dominar o mundo. O típico plano de vilões! Mas não se enganem, o filme é um colírio, apesar dos absurdos, falhas e perdas (como a ausência de Sean Connery que se recusou a revisitar o papel do pai do herói).

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é simplesmente fascinante e você se dará conta disso realmente ao final com seu incrível visual e fotografia de desertos, o gigantesco galpão na Área 51, as silhuetas dos corpos (principalmente a de Harrison Ford que é facilmente identificado) e florestas no Amazonas e Peru.
Acredite... Está tudo lá... Mistério, conspirações, cavernas e tumbas empoeiradas, teias de aranha, passagens secretas, tiros, lutas, além da música inconfundível, as roupas surradas, a jaqueta de couro, o chapéu, chicote e a clássica frase “Não toque me nada!”. E fiquem atentos, pois quem sabe possamos ver um novo filme e talvez até mesmo uma franquia comanda por Shia Labeouf, o filho do herói. E se desejar ser um arqueólogo siga o conselho do senhor doutor Jones, “Se quiser ser um bom arqueólogo, tem que sair da biblioteca”.


Os antigos ícones de infância ressurgem como Superman, Rambo, James Bond e John Mclaine. Nada mais justo que Steven Spielberg na direção e uma ajudinha de George Lucas para trazer de volta um dos seus maiores sucessos, não? O que parecia impossível há anos, hoje é realidade.